O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (23) que o Brasil está “enfrentando grandes respostas a seus esforços sem precedentes de interferir nos direitos e liberdades de cidadãos americanos”. A declaração foi feita durante discurso na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e veio acompanhada da confirmação de uma nova rodada de sanções tarifárias contra produtos brasileiros.
Segundo Trump, as medidas visam “corrigir distorções” promovidas pelo governo brasileiro no comércio bilateral. Ele não detalhou quais setores serão afetados, mas sinalizou que os novos encargos incidem sobre práticas que, segundo Washington, violam interesses comerciais e jurídicos dos Estados Unidos.
Trump e Lula chegaram a se encontrar brevemente nos bastidores do evento. Apesar da tensão política, o líder norte-americano minimizou o embate pessoal. “Ele me parece um homem muito bom. Ele gostou de mim, eu gostei dele”, declarou Trump após mais de 40 minutos de fala voltada majoritariamente à política externa dos EUA.
O pronunciamento do republicano ofuscou a estreia de Luiz Inácio Lula da Silva no evento. O presidente brasileiro discursou logo antes, seguindo a tradição do encontro entre os 193 Estados-membros da ONU. Lula rebateu, ainda que sem mencionar diretamente as novas sanções, o que classificou como tentativas de interferência estrangeira na soberania nacional e no funcionamento das instituições democráticas brasileiras.
Reação brasileira era esperada
Nos bastidores do Itamaraty, já se esperava que o tema das punições fosse mencionado por Trump. As medidas incluem restrições a autoridades brasileiras e sobretaxas em setores estratégicos, e devem pautar os próximos dias da delegação brasileira em Nova York.
Ainda não houve resposta formal do Palácio do Planalto nem previsão de pronunciamento adicional de Lula sobre o tema.