Uma ação conjunta do Ministério Público de São Paulo (MPSP), por meio do GAECO, da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária, foi deflagrada na manhã desta terça-feira (30) para desarticular uma organização criminosa especializada em roubo de cargas, desmanche de caminhões e lavagem de capitais.
Batizada de Operação Vareio, a ofensiva ocorre simultaneamente em São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Minas Gerais e Mato Grosso.
Ao todo, 220 agentes da PF e 205 policiais militares foram mobilizados para cumprir 35 mandados de prisão temporária e 49 de busca e apreensão, todos expedidos pela 2ª Vara de Crimes Tributários e Organização Criminosa da Capital. A Justiça determinou ainda o bloqueio de R$ 40 milhões em bens e a suspensão de atividades de empresas ligadas ao esquema, acusadas de comercializar peças de origem criminosa e de operar a movimentação financeira da quadrilha.
Dos 35 mandados de prisão e 49 de busca e apreensão, oito tiveram alvos em Atibaia e Campinas.
- Em Atibaia, foi cumprido um mandado de prisão temporária e um de busca e apreensão.
- Em Campinas, quatro mandados de busca e apreensão foram expedidos, além de duas prisões preventivas.
Os envolvidos, a maioria com antecedentes por crimes como roubo, receptação, estelionato, ameaça e tráfico, responderão por organização criminosa armada, lavagem de capitais, receptação e roubo qualificado, podendo receber penas que ultrapassam 40 anos de prisão.

Rota do crime
A investigação teve início após a Operação Cacaria, deflagrada em maio deste ano, e apontou a existência de um grupo armado e estruturado, que operava em todas as frentes: da execução do roubo ao comércio ilegal de peças. Os criminosos atuavam com bloqueadores de sinal GPS, celular e Wi-Fi, permitindo desengatar carretas sem alertar centrais de monitoramento. Também alugavam galpões para desmanche de veículos e utilizavam notas fiscais falsas para o transporte das partes.
Um dos alvos é sócio-administrador de empresa de rastreamento por satélite, com acesso privilegiado a dados sensíveis sobre tecnologias como LoRa e LoJack, o que facilitava as ações criminosas. Foram identificadas pelo menos 50 ocorrências de crimes patrimoniais entre agosto de 2024 e junho de 2025. Em média, o grupo visava dois caminhões por semana, com lucro estimado em mais de R$ 1 milhão mensal.
A quadrilha usava diversas modalidades de abordagem: armada, simulação de fretes por aplicativos e ataques em pontos de parada de caminhoneiros. As peças desmontadas eram distribuídas a receptadores em diversos estados, inclusive via marketplaces. O dinheiro obtido era disfarçado por meio de contas em nome de laranjas, parentes e empresas de fachada.
