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Criança diagnosticada com Tourette perde a consciência após ser espancada em escola de Santos

Pai leva filho ao pronto-socorro e denuncia omissão da escola
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Um estudante de 12 anos, diagnosticado com síndrome de Tourette, foi brutalmente agredido em uma escola estadual de Santos, na Baixada Santista. Segundo o pai, o menino levou socos, chutes e teve a cabeça batida contra a parede por um colega de classe. A agressão foi tão violenta que ele perdeu a consciência e precisou ser internado na segunda-feira (29).

Ao VTV News, o pai do estudante contou que a agressão começou depois que um colega quebrou uma caneta e sujou a prova do filho, que valia nota. Quando o garoto se levantou para avisar a professora, foi atacado com violência. “Foi quase uma tentativa de homicídio, porque não foi uma briga entre crianças, foi o meu filho sendo espancado no chão”, desabafou.

No boletim de ocorrência (BO), ao qual a reportagem teve acesso, consta que o menino foi levado ao hospital. No entanto, segundo ele, não partiu da escola a decisão de acionar socorro médico ou a polícia. “Eu perguntei o motivo de não chamarem uma ambulância e a diretora falou que não precisava. Como não precisa se meu filho perdeu a consciência?”.

Escola não acionou ambulância nem polícia

O caso aconteceu na Escola Estadual Zulmira Campos. O pai do menino conta que só percebeu a gravidade quando chegou em casa e encontrou o filho debilitado. “Minha mãe já estava pegando os documentos para levar ele à UPA [Unidade de Pronto Atendimento], na Zona Noroeste. Quando vi o rosto dele, falei: ‘pô, como que não precisa de ambulância?’”, disse.

Por meio de nota, a Prefeitura de Santos confirmou que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) não foi acionado. A vítima foi levada pela família ao Pronto-Socorro (PS) da Zona Noroeste e, depois, transferida para a Santa Casa, onde passou por tomografia após apresentar sangramento no nariz, fortes dores de cabeça e dificuldade para abrir os olhos (veja mais uma imagem a seguir).

Já a Secretaria de Educação (Seduc) informou que a Unidade Regional de Ensino de Santos acionou os responsáveis dos dois estudantes – agressor e agredido – e realizou uma reunião de mediação. O Conselho Tutelar também foi acionado. A pasta apura o caso e reforçou que repudia qualquer forma de violência, dentro ou fora da escola.

Menino diagnosticado com síndrome de Tourette é espancado por colega em escola no litoral de SP – Foto: arquivo pessoal

Histórico de problemas com o agressor

Apenas dois professores conseguiram conter o agressor durante o ataque, segundo o pai da vítima. Na reunião de mediação, a mãe do aluno afirmou à direção que o filho tem autismo nível dois. No entanto, o pai alega que casos violentos envolvendo o mesmo estudante já ocorreram antes, como quando ele teria mostrado o órgão genital para meninas dentro da escola.

Ainda segundo o pai, durante a reunião, a mãe do agressor defendeu o filho: “Ela falou que o menino não era animal, não era bicho. Mas meu filho estava lá, com o rosto todo machucado e gelo no rosto”. Ele também afirma que a escola só ofereceu apoio depois que anunciou que buscaria seus direitos legais. “Até ontem, disseram que não podiam fazer nada”.

No posicionamento, a Seduc complementou que o caso foi registrado na plataforma do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva) e que dará apoio à escola para “reforçar ações voltadas à cultura de paz e ao diálogo entre os alunos”. Um psicólogo do Programa Psicólogos nas Escolas também está disponível na unidade.

Providências legais

Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso foi registrado na Delegacia da Infância e Juventude (Diju), onde o pai prestou depoimento. O menino também passou por exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

“Vou atrás dos meus direitos. Não vou deixar uma criança dessa estudar com meu filho. O que a escola tinha que fazer era chamar o Conselho Tutelar e investigar o porquê dessa agressividade. Alguma coisa tem, ou não está tomando os remédios direito, ou está sofrendo algum abuso em casa”, afirmou.

Os responsáveis pelo outro estudante ainda não foram localizados, mas o espaço segue aberto para manifestação.

O que é a síndrome de Tourette?

A síndrome de Tourette é uma condição neurológica que afeta o sistema nervoso central e costuma surgir na infância, por volta dos 5 anos de idade. Ela provoca tiques motores e vocais – movimentos e sons repetitivos, involuntários e, muitas vezes, incontroláveis. “É conhecida como ‘doença do grito’ porque o paciente pode estar quieto e, de repente, emitir sons sem querer”, explica a neurologista e professora universitária, Dra. Evelyn Esteves de Oliveira e Silva.

A causa exata ainda é desconhecida, embora fatores genéticos possam estar presentes. O diagnóstico geralmente é clínico, feito por um neurologista com base na observação dos sintomas. “É importante diferenciar a Tourette de comportamentos voluntários ou de indisciplina, principalmente na escola”, destaca a médica. Os tiques mais comuns envolvem movimentos rápidos com a cabeça, caretas ou sons inesperados.

O tratamento depende da gravidade dos sintomas. Pode incluir terapias comportamentais, técnicas de relaxamento, atividades físicas e, em alguns casos, uso de medicamentos. “Reduzir fatores estressores é essencial, principalmente na infância, quando os tiques podem ser mais intensos”, afirma a especialista. O acompanhamento multidisciplinar costuma ser necessário ao longo da vida.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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