Um dia após anunciarem greve, trabalhadores da limpeza urbana decidiram retomar parte das atividades nesta terça-feira (17), em cidades do litoral de São Paulo. A paralisação havia sido iniciada após a categoria apontar pagamento desigual no benefício de lucro por produção, o Programa de Participação nos Resultados (PPR).
A decisão de entrar em greve foi tomada na manhã desta segunda (16), após assembleias realizadas em Santos, Praia Grande, Guarujá, São Vicente, Cubatão e Bertioga. Imagens feitas pela VTV, afiliada do SBT, mostram acúmulo de lixo nas ruas de Santos, uma das cidades afetadas pela paralisação (veja abaixo).
À noite, representantes das empresas Terracom, PG Eco Ambiental e Terra Santos Ambiental se reuniram com o sindicato dos trabalhadores em uma audiência no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região. No encontro, foi definido que os serviços devem ser retomados com, no mínimo, 70% dos trabalhadores.
Greve parcial
Já nesta manhã, os trabalhadores se reuniram em frente à garagem da empresa Terra Santos para discutir a proposta apresentada. Durante a assembleia, a categoria decidiu retomar parte das atividades, mantendo 70% dos funcionários em serviço. A medida leva em conta que a coleta de lixo é considerada um serviço essencial.
Segundo o presidente do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação, Limpeza Urbana e Áreas Verdes de Santos e Região (Siemaco), André Domingues de Lima, a Justiça havia determinado retorno total, mas a categoria optou por colocar 70% nas ruas e manter 30% parados, aguardando uma solução.
A decisão vale até a próxima sexta-feira (20), quando está prevista uma nova audiência com análise técnica nas unidades. Até lá, os trabalhadores que voltaram devem seguir um cronograma emergencial. Entre as prioridades estão a coleta de lixo acumulado e a limpeza de feiras nas cidades atendidas.
O que dizem as empresas?
As empresas informaram, por meio de nota, que uma audiência realizada na noite anterior definiu a realização de assembleias com os trabalhadores. O objetivo era garantir a retomada dos serviços essenciais de limpeza urbana. Ficou estabelecido que, no mínimo, 70% dos funcionários deveriam voltar às atividades.
Após as assembleias, os serviços começaram a ser retomados nas cidades da região. A situação atual é:
- Praia Grande, Cubatão, Bertioga e São Vicente: 100% do efetivo em atividade
- Santos: varrição com 100% e coleta com 70%
- Guarujá: 70% do efetivo já voltou ao trabalho
Sobre o pagamento do PPR, as empresas afirmaram que os valores foram calculados e pagos conforme o Acordo Coletivo. Segundo a nota, os critérios e metas já eram conhecidos pelos trabalhadores. Uma nova audiência foi marcada para sexta-feira (20), e, até lá, os serviços seguem conforme decisão da Justiça.

Quais são os riscos da falta da coleta de lixo?
O mau cheiro e o acúmulo de sacos nas ruas são os primeiros sinais sentidos na falta da coleta, mas os problemas vão além: o lixo exposto atrai ratos, baratas e moscas, que podem transmitir doenças. Também pode haver água parada, favorecendo a proliferação do mosquito da dengue, além de zika e chikungunya.
Entre os principais riscos estão:
- Leptospirose (transmitida pela urina de ratos);
- Infecções intestinais e diarreia;
- Problemas respiratórios causados pelo mau cheiro e gases;
- Contaminação do solo e da água.
Outro problema é o entupimento de bueiros, que pode provocar alagamentos. Durante períodos de greve, a orientação é evitar deixar lixo exposto: o ideal é armazená-lo bem fechado em sacos resistentes e, se possível, mantê-lo dentro de casa até a normalização da coleta. Também é importante evitar água parada e descarte irregular.