As chuvas que atingem a Baixada Santista desde o início da semana voltaram a ganhar força na noite desta quarta-feira (25) e mantêm a região em alerta nesta quinta (26) e também na sexta-feira (27). O avanço do mau tempo, associado à atuação de um ciclone extratropical no Sul e Sudeste do país, já provocou alagamentos, transbordamento de rios, deslizamentos e a retirada de centenas de famílias de suas casas, principalmente em Peruíbe e Mongaguá.
Peruíbe e Mongaguá concentram maiores impactos
Peruíbe é a cidade mais afetada até o momento. Após três dias de bairros inteiros debaixo d’água, o município contabiliza quase 500 pessoas afetadas pelas enchentes. Foram registrados cerca de 282 milímetros de chuva, volume 46% acima do esperado para o mês.
Regiões como Caraguava, Jardim Ribamar, Jardim das Flores e Vila Romar tiveram ruas completamente alagadas, com moradores sendo resgatados por botes e até caiaques. O município decretou situação de emergência por 180 dias para agilizar a mobilização de recursos e assistência.
Em Mongaguá, onde o acumulado chegou a quase 128 milímetros nas últimas 72 horas, dois rios transbordaram e a elevação do nível das águas atingiu áreas próximas aos rios Aguapeú e Bichoró, além de deixar pontos do Barranco Alto totalmente inundados. Famílias foram acolhidas no abrigo municipal instalado no Ginásio Arthurzão, e o número pode aumentar conforme novas remoções são solicitadas.
Baixada Santista segue em alerta
Outras cidades da Baixada também registraram ocorrências. Em Bertioga e Guarujá, moradores precisaram deixar suas casas. Já em Santos e São Vicente, houve pontos de alagamento e estado de atenção, mas sem registros mais graves até o momento.
Diante do cenário, a Defesa Civil do Estado de São Paulo enviou ajuda humanitária para Peruíbe e Mongaguá, em parceria com o Fundo Social do Estado. Entre os itens encaminhados estão cestas básicas, água potável, kits de higiene e limpeza, colchões, cobertores, roupas, além de ração para animais e cadeiras de rodas. O objetivo é reforçar o atendimento às famílias que seguem fora de casa.
As autoridades orientam a população a evitar áreas alagadas, não atravessar vias inundadas e acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193 ou a Defesa Civil pelo 199 em caso de emergência.
Entenda o ciclone que influencia o tempo no Brasil
O cenário de instabilidade na Baixada Santista está associado à atuação de um ciclone extratropical no Atlântico Sul, sistema que intensifica ventos e potencializa a formação de áreas de chuva.
De acordo com o engenheiro ambiental e professor da Estácio, Robson Costa, o fenômeno se forma a partir do contraste entre massas de ar frio e quente. Esse choque térmico fortalece os ventos e aumenta a capacidade do sistema de concentrar umidade, favorecendo temporais, alagamentos e deslizamentos.
Embora seja comum na região sul do continente, o ciclone pode ampliar os efeitos das frentes frias e impactar também o Sudeste. Segundo o especialista, a elevação da temperatura do mar pode intensificar esses sistemas, tornando os episódios mais severos.
A instabilidade deve continuar ao longo desta sexta-feira (27), mantendo o litoral Paulista, em especial a Baixada Santista, em estado de atenção.