Santos (SP) recebeu entre os dias do evento o congresso Biomedicina in Santos 2026, que reuniu cerca de 8 mil participantes entre estudantes, profissionais e representantes da indústria da saúde.
Realizado pela primeira vez na Baixada Santista, o encontro teve como foco a atualização científica, a integração entre pesquisa e mercado e a discussão de tendências tecnológicas como inteligência artificial, farmacogenômica e neurociência aplicada.
Segundo a organização, o evento buscou ampliar a formação profissional e fortalecer a troca de conhecimento entre diferentes áreas da Biomedicina no Brasil.
Santos consolida posição como sede de grandes eventos científicos
A realização do congresso em Santos marcou a primeira edição do Biomedicina in Santos fora de grandes capitais e reforçou a estratégia de descentralização de eventos científicos no país.
A escolha da cidade considerou fatores estruturais, acadêmicos e logísticos, além da presença de instituições de ensino e serviços de saúde na região.
Em entrevista concedida à VTV News, antes da realização do evento, o presidente do Conselho Regional de Biomedicina da 1ª Região (CRBM1), diretor conselheiro do Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e presidente do congresso, Dr. Dácio Eduardo Leandro Campos, destacou os critérios da escolha.

“Santos possui faculdades de ponta, serviços de saúde com tecnologia e uma população antenada nos principais assuntos do País. Pensamos também que a localização geográfica e as belezas de Santos atraem nossos congressistas”, afirmou.
Após a realização do evento, a avaliação da organização é de que a cidade conseguiu atender à demanda logística e estrutural do congresso, especialmente na recepção de público e na integração com o setor hoteleiro e de serviços.
Evento destaca tendências tecnológicas na Biomedicina
A programação do congresso foi centrada em temas considerados estratégicos para o futuro da Biomedicina, com destaque para medicina personalizada, farmacogenômica, inteligência artificial aplicada à saúde, bioinformática e biomarcadores em neurociência.
Durante os dias de evento, palestras e painéis abordaram a incorporação de tecnologias digitais em diagnósticos e pesquisas clínicas, além da ampliação do uso de dados genéticos na prática biomédica.
Segundo a organização, o objetivo foi conectar diferentes áreas do conhecimento e apresentar aplicações práticas das novas tecnologias.
O presidente do evento, Dr. Dácio Eduardo Leandro Campos, destacou a proposta de integração entre os temas.
“A Biomedicina está passando por uma revolução tecnológica, e o nosso congresso colocou essas inovações no centro dos debates. As principais tendências que ganharam destaque foram a medicina personalizada e farmacogenômica, a inteligência artificial e a bioinformática, inovação tecnológica na pesquisa clínica e os biomarcadores precoces na neurociência”, afirmou.
Ele acrescentou que a estrutura do evento foi desenhada para promover imersão dos participantes ao longo da programação.
“Todos os temas abordados, seja na arena ou nas salas, foram linkados para que o congressista ficasse imerso no evento do começo ao fim”, disse.
Formação profissional e atualização científica foram eixos centrais
Com cerca de 8 mil participantes, o congresso teve como um dos principais objetivos a atualização científica de profissionais e estudantes da área biomédica.
A programação incluiu palestras técnicas, workshops e minicursos voltados para diferentes níveis de formação, desde graduandos até especialistas.
De acordo com a organização, a proposta foi atender às demandas de um setor em rápida transformação tecnológica.
O presidente do congresso afirmou que a grade científica foi estruturada com foco em inovação e prática profissional.
“Formatamos uma grade científica que agregou conhecimento nas novas tecnologias e no que há de melhor dentro das habilitações biomédicas, contando com a participação de profissionais renomados e com vasta experiência. A Biomedicina nasceu no ambiente tecnológico, e modernizar e inovar sempre foram nossa tendência”, declarou.

31 habilitações da Biomedicina foram apresentadas em programação diversificada
A Biomedicina no Brasil conta atualmente com 31 habilitações reconhecidas, o que amplia o campo de atuação profissional, mas também exige orientação na escolha de áreas de especialização.
Durante o evento, essa diversidade foi apresentada por meio de palestras, oficinas práticas e feira de expositores.
Segundo a organização, a proposta foi tornar mais claro o leque de oportunidades da profissão.
“O congresso Biomedicina in Santos foi cuidadosamente desenhado exatamente para ser uma vitrine dessa pluralidade da nossa profissão. Sabemos que com mais de 31 habilitações, o estudante ou até mesmo o profissional recém-formado pode se sentir perdido diante de tantas escolhas”, afirmou o presidente do evento.
Três eixos estruturaram essa abordagem: programação científica diversificada, vivência prática por meio de workshops e networking com empresas e instituições do setor.
“Pretendemos mostrar essas oportunidades de atuação através de três pilares principais: a programação científica diversificada, a vivência prática e o networking estratégico com a feira de expositores”, explicou.
Integração entre pesquisa, mercado e inovação marca debates
A relação entre pesquisa científica, mercado e inovação foi um dos principais temas discutidos durante o congresso.
A presença de empresas do setor de saúde permitiu a apresentação de tecnologias e soluções voltadas para diagnóstico, análise laboratorial e biotecnologia.
Para a organização, a aproximação entre academia e setor produtivo é essencial para o desenvolvimento da área.
“Essa tríade — pesquisa, mercado e inovação — é o verdadeiro motor que impulsiona o futuro da saúde. Historicamente, havia um abismo entre o que era produzido nas universidades e o que a indústria comercializava. O nosso evento buscou ser exatamente a ponte que elimina essa distância”, afirmou Dr. Dácio Eduardo Leandro Campos.
Ele também destacou o caráter estratégico da presença da indústria no congresso.
“A presença das empresas não é apenas comercial, é um pilar estratégico. Queremos que as próximas grandes parcerias tecnológicas que vão revolucionar a Biomedicina no país comecem com apertos de mão nos corredores do evento”, disse.
Workshops e feira de expositores ampliam experiência prática
Além das palestras, o congresso contou com minicursos e workshops voltados à prática biomédica, além de uma feira de expositores com empresas do setor da saúde.
A programação buscou aproximar os participantes de tecnologias já aplicadas no mercado, além de promover contato direto com profissionais e instituições.
O formato também incentivou o networking entre estudantes, pesquisadores e representantes da indústria, elemento considerado estratégico para inserção profissional na área.
Evento reforça crescimento da Biomedicina no Brasil
O congresso ocorre em um contexto de expansão da Biomedicina no país, impulsionada por avanços tecnológicos e pela ampliação das áreas de atuação profissional.
A regulamentação das habilitações e o crescimento de campos como genética, bioinformática e reprodução humana refletem a diversificação da profissão.
A realização do evento em Santos reforça a tendência de descentralização de grandes encontros científicos e a valorização de novos polos acadêmicos.
Congresso da SBRed debateu redução de danos e desafios da saúde pública em Santos

A primeira edição do congresso da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia para Redução de Danos (SBRed) reuniu especialistas, pesquisadores e profissionais de saúde entre os dias 4 e 6 de junho, em Santos (SP), para discutir estratégias voltadas à redução de danos em diferentes áreas da saúde pública.
Realizado em parceria com o Conselho Federal de Biomedicina, o encontro marcou a apresentação da entidade à comunidade científica e promoveu debates baseados em evidências sobre temas como HIV, dependência química, tabagismo, consumo de álcool, alimentos ultraprocessados e doenças crônicas.
Segundo o cirurgião oncológico Edgard Mesquita, membro titular da SBRed, a proposta do evento foi ampliar a discussão sobre políticas públicas mais eficazes e alinhadas aos desafios contemporâneos da saúde. “Essas agendas compartilham o desafio de demandar respostas mais integradas, modernas e eficazes em políticas públicas de saúde. O congresso marca um novo momento no debate científico brasileiro sobre redução de danos, uma abordagem já consolidada internacionalmente e que precisa ser compreendida como estratégia central de saúde pública no país”, afirmou.
Durante os três dias de programação, especialistas abordaram temas como prevenção e tratamento do HIV/AIDS, impactos dos alimentos ultraprocessados e do consumo excessivo de açúcar na saúde cardiometabólica, além de estratégias relacionadas ao cuidado de pessoas com dependência de álcool, tabaco e outras drogas.
A redução de danos foi um dos principais conceitos discutidos ao longo do congresso. A abordagem busca minimizar prejuízos físicos, sociais e econômicos associados a comportamentos de risco, mesmo quando não há interrupção completa desses hábitos.
“Em um mundo utópico, ninguém usaria substâncias ilícitas, consumiria alimentos ultraprocessados ou seria sedentário. A redução de danos, enquanto conceito, reconhece a realidade do comportamento e tenta trazer ferramentas e estratégias que possam diminuir esses riscos, trazer estratégias para qualidade de vida e, até mesmo, criar pontes para que o comportamento cesse”, disse Mesquita.
Fundada em junho de 2025, a SBRed reúne atualmente cerca de 50 sócios-fundadores de diferentes áreas do conhecimento e tem como objetivo fomentar o avanço científico e tecnológico da redução de danos no Brasil. A entidade defende uma abordagem multidisciplinar para enfrentar os impactos sociais, clínicos e econômicos relacionados a comportamentos de risco e ao uso de substâncias.