Dois socos no olho, um na orelha e outro no queixo. Uma aluna, de 15 anos, foi atacada dentro da sala de aula por um colega de 16, em uma escola estadual de Itanhaém, na Baixada Santista. A estudante foi agredida após uma discussão banal: a posição do ventilador no ambiente abafado.
O caso ocorreu na Escola Estadual Silvia Jorge Pollastrini, no bairro Praia do Sonho, na última terça-feira (1º). Segundo o boletim de ocorrência, o adolescente alterou a direção do ventilador, e a estudante reclamou. Para ela, o vento passou a refrescar apenas uma fileira de carteiras, excluindo o restante da turma.
Houve troca de insultos, e os envolvidos deram versões conflitantes sobre o início da briga. O adolescente alegou ter reagido após ser atingido por tapas. Já a vítima afirmou que apenas se aproximou da mesa dele para questionar as provocações, quando foi surpreendida pelos golpes.
Ventilador gerou situação com estudante agredida
Em entrevista à VTV, afiliada do SBT, a vítima – que não será identificada – relatou que a sala estava muito quente devido à quantidade de alunos. O ventilador, que antes atendia toda a turma, teria sido ajustado pelo agressor para beneficiar apenas ele e seus amigos. Diante disso, ela pediu para que ele reposicionasse o aparelho, mas foi ignorada.
“Eu virei pra minha amiga e perguntei se podia falar palavrão. Aí, falei: ‘Caramba, ele tá brigando pelo vento’. Ele escutou, ficou indignado e começou a me insultar. Quando levantei para questionar, ele veio me peitando e já começou a me socar na cara. Eu só tentava me defender com uma mão. No segundo soco, já estava quase desacordada. Mesmo assim, ele não parou, até que o professor interviu”, afirmou a jovem.
Em nota, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) informou que os pais dos estudantes foram convocados e ambos os alunos foram afastados temporariamente das atividades presenciais. O VTV News tentou contato com a família do agressor, mas não obteve resposta.

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Militar (PM) foi acionada e encaminhou os envolvidos, acompanhados pelos responsáveis, à delegacia. No local, prestaram depoimento sobre o ocorrido. O caso foi registrado como lesão corporal, injúria e vias de fato.
O pai da estudante, Alex Pereira Costa, relatou à reportagem que encontrou a filha sangrando dentro da escola. “Minha filha estava bem machucada, muito sangue. O professor dela estava chorando bastante, abraçado com ela”, declarou. A jovem foi encaminhada para uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA), onde recebeu dois pontos no supercílio.
Alex afirmou que a filha iniciou os estudos na escola este ano e que, após o ocorrido, pretende transferi-la para outra unidade. A estudante confirmou e disse que sente medo de voltar às aulas e encontrar a família do agressor. “Eu não sei se ele já saiu da escola. Então, eu estou com medo de sair na rua e encontrar os familiares dele. Eles são agressivos”, disse.
Segundo a estudante, o agressor já tinha histórico de violência dentro da escola. “A diretora falou para mim e para o meu pai que também se sente ameaçada por ele. Em janeiro, ele bateu em um menino e continuou chutando mesmo com ele no chão. Ele também levava objetos como faca e canivete para a escola. Talvez para amedrontar outras pessoas, para colocar medo”, contou a vítima.
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Parentes também participaram de agressão
Conforme apurado pela repórter Gaby Saboya, o namorado da vítima também relatou ter sido alvo de agressões e ameaças por parte da família do adolescente. “Eu cheguei lá e uma mulher veio falar comigo de boa, mas quando os familiares dela chegaram, começou a confusão. Daqui a pouco apareceu o avô dele e veio me dar uma madeirada na cabeça. Tô até com um galo”, afirmou.
Ele disse que a família do agressor tentou atacá-lo, mas que a situação não piorou porque uma mulher interveio e ameaçou chamar a polícia. “A família dele queria me bater, mas era mulher, né? Eu ia fazer igual ao sobrinho deles? Aí ela falou que ia chamar a polícia, e a gente foi aconselhado a ir na delegacia fazer um boletim de ocorrência”, contou.
A estudante agredida por causa de um ventilador revelou ainda que teme pela segurança da namorada caso ela retorne à escola.
“Dá medo do que ele pode fazer com ela, porque já agrediu outras meninas antes. E agora estão ameaçando ele, vai que faz algo pior?”, questionou. Ele afirmou que a família da estudante já planeja deixar a cidade. “O pai dela quer ir para São Paulo, e eu vou junto”, concluiu.
Caso chegou à Seduc
A Seduc-SP declarou que a gestão da escola agiu prontamente ao tomar conhecimento da agressão. O caso foi registrado no aplicativo do Programa de Melhoria da Convivência e Proteção Escolar (Conviva). Além disso, um psicólogo do programa Psicólogo na Escola foi disponibilizado para a estudante.
A secretaria também afirmou que serão intensificadas ações de mediação entre os alunos e a equipe escolar. A Diretoria de Ensino de São Vicente repudiou qualquer forma de violência. O órgão declarou que está à disposição para esclarecer o caso.
As investigações seguem em andamento pela Polícia Civil de Itanhaém. O exame de corpo de delito foi solicitado para a vítima. A SSP-SP reforçou que medidas cabíveis serão tomadas para responsabilizar os envolvidos e prevenir novos incidentes na escola.