O mar em Guarujá, no litoral de São Paulo, parecia calmo e convidativo, mas mudou em questão de minutos com a chegada de ventos fortes e ondas agitadas no último sábado (2). Foi nesse cenário que dois pescadores precisaram ser resgatados por um empresário que passava pela região e notou os pedidos de socorro.
O responsável pelo resgate é Pedro Dias, de 34 anos, que seguia de lancha com outras oito pessoas em direção à Praia do Iporanga. “O tempo estava muito bom, o mar liso, então tinha muita gente navegando. A mudança estava prevista só para a madrugada, mas veio muito antes e muito rápida”, relatou ao VTV News.
De acordo com o relato do empresário, a mudança no tempo já era prevista e vinha sendo monitorada por aplicativos de navegação. Ainda assim, o grupo decidiu permanecer em um ponto mais próximo da costa. Pouco tempo depois, sinais no ambiente passaram a indicar a chegada de um sistema mais intenso.
“Comecei a observar o comportamento do céu e dos pássaros, dava para ver que vinha algo forte. Em poucos minutos, a ventania chegou com rajadas de 50 a 60 km/h”, explicou. Diante disso, diversas embarcações tentaram retornar ao mesmo tempo para as marinas – momento em que o empresário avistou os pescadores.
“Quando estávamos voltando, vi os dois próximos das pedras, acenando e gritando por socorro. Não dava para ignorar aquela situação”, disse. Segundo ele, outras embarcações passaram pelo local, mas não pararam.
Resgate
A aproximação foi dificultada pelas condições do mar. Segundo Pedro, quanto mais perto das pedras, maior era o impacto das ondas, que chegavam a atingir a lateral da lancha e invadir parcialmente a cabine. Ele precisou realizar manobras para se posicionar com segurança e orientou os pescadores a cortarem a âncora.
Durante a ação, um dos pontos de amarração da lancha chegou a se romper devido à força das ondas. Diante do risco, os pescadores foram transferidos para um barco de madeira, mais resistente às condições do mar. A operação também contou com o apoio de outras embarcações, que ajudaram a conduzir cabos até a dupla.
“Tinha que ser o mais rápido possível, até porque ia vir mais vento, ia piorar, e aí a gente conseguiu”, finalizou. O resgate foi registrado em vídeo e cedido à reportagem, como mostrado mais acima.

‘Nuvem de rolo’ antecipou ventania
Naquele mesmo dia, o cenário de instabilidade não se limitou ao mar agitado. Em Bertioga, banhistas foram surpreendidos por uma formação incomum no céu: uma nuvem extensa e horizontal que lembrava um “tsunami no horizonte”. As imagens, registradas na região da Riviera de São Lourenço, viralizaram nas redes sociais.
De acordo com a Defesa Civil, o fenômeno é conhecido como nuvem de rolo, ou “volutus”. Trata-se de uma formação tubular que se desloca horizontalmente e pode dar a impressão de estar girando. Apesar do visual impressionante, especialistas afirmam que esse tipo de nuvem faz parte da dinâmica natural da atmosfera.
Segundo o tenente Maxwel Souza, o fenômeno está associado à chegada de uma frente fria, combinada ao calor já presente na região. Esse encontro de massas de ar provoca movimentos intensos na atmosfera, favorecendo a formação de nuvens densas e extensas, além de mudanças rápidas nas condições climáticas.
Embora não represente risco direto, a nuvem de rolo pode indicar a aproximação de instabilidades mais fortes. No caso do litoral paulista, o sistema avançou acompanhado de rajadas de vento entre 50 e 60 km/h, o que ajuda a explicar a ventania que atingiu áreas costeiras e impactou embarcações ao longo do dia.