O Dia Mundial da Conscientização do Autismo (TEA) é celebrado anualmente em 2 de abril. A equipe de reportagem da VTV visitou o Instituto David, em Atibaia, para conhecer o trabalho dos profissionais que estão na linha de frente no desenvolvimento das crianças com TEA.
A instituição tem como foco a primeira infância, acolhendo crianças de 2 a 8 anos. Durante esse período, busca proporcionar um desenvolvimento que favoreça a autonomia, preparando a criança para o ambiente escolar e para a vida adulta.
A doutora Nabel Queiroz, especialista em psiquiatria infantil e saúde mental, afirma que a abordagem humanizada é essencial no atendimento. Segundo ela, a empatia deve ser a base do trabalho: “Basta se colocar no lugar do outro e perguntar: ‘Como eu gostaria de ser atendido?’”.
Ajustando as barreiras sociais com empatia, a instituição investe no acompanhamento desde os primeiros anos de vida da criança, promovendo uma série de benefícios que impactam diretamente a vida adulta, tais como:
- Melhoria nas habilidades de comunicação
- Desenvolvimento social
- Aprimoramento comportamental: técnicas específicas podem reduzir comportamentos desafiadores e estimular comportamentos adaptativos
- Melhor desempenho educacional
- Redução do estresse familiar
“Na vida adulta, os benefícios do acompanhamento precoce se manifestam na forma de uma melhor integração social, maior sucesso ocupacional e uma qualidade de vida mais elevada. Dessa forma, não apenas aprimoramos o desenvolvimento infantil, mas também estabelecemos bases sólidas para uma vida adulta mais independente e satisfatória.” — Disse a Dra. Nabel Queiroz
Identificando o TEA
O diagnóstico do TEA exige uma avaliação criteriosa. A doutora Nabel explica que não há um padrão único e que cada caso apresenta características distintas, como dificuldades de expressão verbal ou seletividade alimentar. O diagnóstico preciso depende de um conjunto de critérios técnicos avaliados por profissionais especializados.
Ela também ressalta as diferenças na manifestação do Transtorno do Espectro Autista entre meninos e meninas. Segundo o relatório do CDC de 2020, o TEA é mais comumente diagnosticado em garotos; no entanto, isso não significa que as meninas não possam ter o transtorno, mas sim que a identificação pode ser mais desafiadora.
Meninas com TEA podem apresentar uma maior habilidade em expressar emoções e utilizar expressões faciais, o que pode tornar suas dificuldades emocionais menos perceptíveis. “Camuflagem” foi o termo utilizado pela doutora para descrever esse fenômeno.
“Muitas meninas aprendem a camuflar seus traços autistas, adaptando seus comportamentos para se encaixar melhor nas normas sociais, o que pode dificultar o diagnóstico.” — Dra. Nabel Queiroz
Aumento de diagnósticos ou avanços tecnológicos?
Nos últimos anos, o número de alunos diagnosticados com TEA cresceu consideravelmente. O Censo Escolar de 2022, na pós-pandemia, registrou 429 mil matrículas, um aumento de 280% em relação ao período anterior. Em 2023, esse número subiu para 636 mil, representando um crescimento de 48%.
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Esse aumento pode estar relacionado tanto ao avanço da tecnologia quanto ao maior reconhecimento dos sinais do transtorno. Alguns especialistas apontam que novas ferramentas tecnológicas facilitaram a identificação, além da ampliação dos critérios diagnósticos, que agora abrangem uma diversidade maior de manifestações.
A doutora Nabel acrescenta outro fator determinante: o acesso à informação. “A maior conscientização entre profissionais de saúde, educadores e o público em geral sobre o TEA tem levado a um aumento no número de avaliações e diagnósticos“, comentou a doutora.
Ela também destaca que o desenvolvimento de métodos diagnósticos mais precisos e abrangentes permite uma detecção mais eficaz, inclusive em crianças com sintomas mais sutis.
Onde entra a pedagogia escolar?
A Pedagogia exerce um papel fundamental na vida de todos os indivíduos, sendo um pilar essencial para o desenvolvimento social e educacional. No Brasil, a taxa de analfabetismo é de aproximadamente 7%; contudo, esse percentual sobe para 19% quando se trata de pessoas com deficiência.
A alfabetização, além de ser um meio de comunicação fundamental, favorece o desenvolvimento de habilidades sociais. No entanto, sua efetividade depende da implementação de projetos educacionais inclusivos, que considerem as barreiras comunicativas e as dificuldades comportamentais enfrentadas por muitos alunos com TEA.
Segundo a doutora Nabel, esses desafios devem ser vistos como barreiras a serem superadas por meio de práticas pedagógicas empáticas e adaptativas.
“Nesse contexto, o Instituto David tem como prioridade o acompanhamento precoce, atendendo crianças de 2 a 8 anos, com o objetivo de promover a aquisição de habilidades fundamentais que possibilitem uma vida adulta com maior autonomia e funcionalidade.” — Dra. Nabel Queiroz