A Motiva, antiga CCR, venceu nesta quinta-feira (11) o leilão de concessão da Rodovia Fernão Dias (BR-381), trecho entre São Paulo e Belo Horizonte, ao oferecer deságio de 17,05% sobre a tarifa básica. O certame foi realizado na sede da B3, em São Paulo, e teve participação da atual concessionária Arteris e da EPR, grupo formado pela Equipav e pelo fundo Perfin. O contrato prevê investimentos de R$ 14,8 bilhões ao longo da concessão.
A rodovia, uma das principais ligações entre o Sudeste e o Sul do país, cruza cidades como Atibaia, Bom Jesus dos Perdões e Bragança Paulista, sendo responsável pelo tráfego de cerca de 250 mil veículos por dia e atendendo diretamente 33 municípios que somam aproximadamente 16,6 milhões de habitantes.
Esta foi a primeira repactuação com competitividade real no atual ciclo, após uma série de leilões sem disputa, o que reforça a atratividade do ativo e o novo arranjo regulatório adotado pelo governo federal.
Obras e transição da concessão
Entre as intervenções previstas estão a ampliação de faixas, implantação de vias marginais, passagens de fauna, passarelas, interseções redesenhadas e a construção de dois Pontos de Parada e Descanso (PPDs). Segundo o Ministério dos Transportes, o leilão fecha o calendário de 2025 com treze rodovias licitadas, e a previsão da pasta é repetir o volume de certames em 2026.

Durante discurso no evento, o ministro dos Transportes, Renan Filho, afirmou que a proposta da Arteris surpreendeu, mas foi superada pela Motiva, que “deve fechar o ano talvez com ganhos superiores a 60%”.
Segundo ele, a nova modelagem garante “um contrato rentável, financiável, transparente e que vai trazer muito mais benefícios para o cidadão que reside nas imediações da rodovia”.
Estratégia de financiamento
O presidente da divisão de rodovias da Motiva, Eduardo Camargo, declarou que a companhia deve recorrer a debêntures de infraestrutura para financiar parte do contrato. “Como a receita desse ativo é 100% em reais, a gente vai buscar uma fonte de financiamento no Brasil mesmo”, afirmou, ao negar a busca por capital estrangeiro.
Camargo também informou que a transição da operação entre Arteris e Motiva deve ocorrer entre o final de abril e o início de maio de 2026. Até lá, a expectativa é de aproximação técnica com a atual gestão. “Nossa intenção é que possamos nos aproximar, conhecer, saber como é que está a operação”, disse.

Especialistas veem avanço nas concessões
O advogado Paulo Henrique Dantas, especialista em infraestrutura do escritório Castro Barros, classificou o leilão como um “marco positivo” para a política de concessões. Para ele, a Fernão Dias era um dos corredores logísticos mais importantes do país, mas vinha sofrendo com investimentos aquém do necessário.
Segundo Dantas, o modelo simplificado adotado pelo Ministério dos Transportes e pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) foi adequado para destravar aportes e atrair investidores. O fato de o projeto ter passado pelo Secex-Consenso do TCU e ainda assim ter tido concorrência efetiva é visto como um diferencial em relação aos certames anteriores.
O diretor-geral da ANTT também celebrou a mudança de operadora. “Cada quilômetro tratado com seriedade representa mais segurança, mais emprego, mais dignidade e mais oportunidade”, afirmou.