Campinas confirmou o primeiro caso de raiva no município desde 2016. A vítima é uma gata jovem, rajada, com pelagem branca na barriga, que foi abandonada no Cemitério da Saudade, no bairro Swift. O animal foi encontrado doente por protetoras independentes e teve o diagnóstico da doença confirmado. A informação foi divulgada pela Prefeitura na manhã desta sexta-feira (31).
Depois de ser levada a uma clínica veterinária, a gata apresentou sinais que levantaram a suspeita de raiva. Diante disso, a clínica acionou a Unidade de Vigilância de Zoonoses (UVZ) em 21 de julho. A equipe da UVZ coletou amostras biológicas e as enviou ao Instituto que confirmou o diagnóstico positivo para a doença nesta quarta-feira (29).
Após a confirmação do caso, a Coordenadoria de Vigilância em Saúde realiza, nesta sexta-feira (31), uma busca ativa nas residências próximas ao local onde a gata foi encontrada. De acordo com a Prefeitura, a iniciativa busca localizar pessoas que possam ter tido contato com o felino, verificar possíveis situações de exposição ao vírus e reforçar as orientações de prevenção.
O órgão ressalta que o risco está restrito às pessoas que tiveram contato direto com a gata. Como parte das medidas adotadas, a equipe também fará o monitoramento de outros felinos que circulam pela região. A recomendação é que moradores que acreditam ter tido algum tipo de contato de risco, mesmo sem terem sido mordidos ou arranhados, procurem a UVZ pelo telefone (19) 2515-7044 para que o caso seja avaliado.
Durante o atendimento da felina na clínica veterinária, um funcionário foi arranhado pela gata. Ele já era imunizado contra a raiva e foi encaminhado para atendimento em uma unidade de saúde.
Raiva
A raiva é uma infecção grave causada por um vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que pode atingir mamíferos, incluindo os seres humanos. O vírus provoca uma inflamação no cérebro e, quando não há tratamento em tempo adequado, quase sempre evolui para a morte.
Transmitida principalmente pelo contato com a saliva de animais infectados, a raiva chega às pessoas geralmente por meio de mordidas. O vírus também pode passar por arranhões ou lambidas desses animais. O tempo entre a infecção e o surgimento dos sinais varia de acordo com a espécie, podendo durar de dias a anos. Nos seres humanos, esse período é, em média, de 45 dias, mas pode ser menor em crianças.
Nos cães e gatos, a eliminação do vírus pela saliva começa de dois a cinco dias antes do aparecimento dos primeiros sinais da doença e continua durante todo o período em que o animal permanece infectante. Segundo o Ministério da Saúde, a morte do animal ocorre, em média, entre cinco a sete dias após o início dos sintomas.
Após o período de incubação, quando o vírus permanece no organismo antes do surgimento dos sinais da doença, aparecem as primeiras manifestações da raiva. Essa fase costuma durar de 2 a 10 dias e apresenta características que podem ser confundidas com outros problemas de saúde. Entre os principais estão:
- Mal-estar geral;
- Anorexia;
- Náuseas;
- Entorpecimento;
- Inquietude;
- Pequeno aumento de temperatura;
- Dor de cabeça;
- Dor de garganta;
- Irritabilidade;
- Sensação de angústia.
Cuidados
A vacina contra a raiva aplicada antes de um possível contato com o vírus facilita o atendimento caso a pessoa seja mordida ou arranhada por um animal infectado. Nesses casos, quem já recebeu a proteção não precisa tomar o soro, que tem disponibilidade mais limitada, e também precisa de menos doses do imunizante.
Essa preparação permite que o organismo responda mais rapidamente a uma possível exposição, pois o sistema de defesa já reconhece o vírus. Além disso, a iminização anual de cães e gatos é uma medida eficaz para evitar a circulação da raiva nesses animais e, consequentemente, reduzir o risco de transmissão para as pessoas.
