A Polícia Civil de São Paulo prendeu um ex-vereador de Santo André suspeito de atuar como articulador político do Primeiro Comando da Capital (PCC) para infiltrar interesses da organização em prefeituras e estruturas públicas. A ação faz parte da Operação Contaminatio, realizada nesta semana, que também cumpriu mandados em cidades como Campinas e Santos.
Operação mira infiltração em prefeituras e governo
A investigação aponta que o grupo criou um “núcleo político” com o objetivo de acessar estruturas do poder público. Para isso, segundo a polícia, integrantes da organização buscavam apoiar ou financiar candidatos alinhados aos interesses do grupo.
Além disso, os agentes cumpriram 22 mandados de busca e apreensão em diferentes estados e prenderam quatro investigados. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 513 milhões em bens e ativos.
Ex-vereador atuaria como elo político
O ex-vereador de Santo André, Thiago Rocha de Paula, foi eleito como 3º suplente nas eleições de 2020, com 1.564 votos, e exerceu o mandato por cerca de 20 dias em maio de 2022, durante licença do titular.
De acordo com a decisão judicial, o ex-vereador exercia papel estratégico ao conectar integrantes da facção a agentes públicos. Embora não participasse diretamente do tráfico de drogas, ele atuava para abrir portas em administrações municipais.
Durante o período em que ocupou o cargo, ainda como suplente, ele teria mantido contatos com interlocutores políticos em diferentes cidades. Segundo os investigadores, essas articulações visavam favorecer interesses ligados a uma fintech associada ao grupo criminoso. Fintech seria usada para lavar dinheiro
As apurações indicam que a organização tentava inserir a fintech 4T Bank em serviços municipais. A proposta incluía a gestão de receitas públicas, como emissão de boletos e arrecadação de tributos.
Dessa forma, o grupo poderia movimentar recursos ilícitos e dar aparência legal ao dinheiro obtido com atividades criminosas. Além disso, o modelo envolveria relacionamento direto com contribuintes e sistemas financeiros das prefeituras.

Atuação se estendia a várias cidades
Segundo a investigação, a atuação do ex-vereador não se limitava a Santo André. Pelo contrário, ele buscava ampliar a influência do grupo em diferentes regiões.
Em Campinas, por exemplo, ele teria mantido contato com pessoas ligadas à administração municipal e apresentado propostas da fintech. Já em Santos, mensagens analisadas pela polícia indicam articulações com agentes políticos locais.
Além disso, também foram identificadas movimentações em cidades como Ribeirão Preto e Mairinque.
Investigação aponta acesso ao governo estadual
Outro ponto que chamou atenção dos investigadores envolve o acesso a estruturas do governo estadual. De acordo com a apuração, um integrante da facção teria sido autorizado a pousar um helicóptero no heliponto do Palácio dos Bandeirantes.
A informação surgiu após análise de dados de celulares apreendidos. O pouso teria ocorrido em março de 2022, quando o investigado se deslocava para um evento no estádio do Morumbi.
Governo de SP se posiciona
Em nota ao VTV News, o governo de São Paulo afirmou que o caso citado ocorreu em março de 2022 e, portanto, não tem relação com a atual gestão.
Além disso, informou que autorizações para pousos e decolagens no heliponto do Palácio dos Bandeirantes seguem critérios técnicos e operacionais definidos pela Agência Nacional de Aviação Civil.

Operação é desdobramento de investigação anterior
A Operação Contaminatio é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em 2024. Na ocasião, a polícia identificou um esquema estruturado de lavagem de dinheiro e bloqueou cerca de R$ 8 bilhões de contas ligadas à organização.
A partir da análise de dispositivos eletrônicos e dados financeiros, os investigadores avançaram na identificação de um núcleo voltado à atuação política.
Investigação continua
Até o momento, nenhum dos investigados possui mandato eletivo ou foro privilegiado. No entanto, as autoridades seguem apurando o alcance do esquema e possíveis responsabilidades de outros envolvidos.
Além disso, a polícia investiga a participação de agentes públicos e eventuais impactos em administrações municipais.
O VTV News tentou contato com a defesa de Thiago Rocha de Paula, mas não obteve retorno até a última atualização.