A Polícia Militar de Piracicaba e o GAECO do Ministério Público apreenderam, nesta quinta-feira (21), um total de 183 armas de fogo em um bunker secreto escondido dentro de uma loja de armas e estande de tiro na cidade de Americana (SP). A operação contou com o apoio da Polícia Federal e do Exército Brasileiro e teve como principal alvo o filho do empresário Eduardo Bazzana, já preso desde maio deste ano sob acusação de abastecer criminosos com armamento pesado.
O local onde o arsenal foi encontrado pertence à estrutura de negócios da família Bazzana, conhecida na cidade por gerir o Clube Americanense de Tiro e a empresa PHVB Armas, ambos registrados junto ao Exército (leia os detalhes).
As autoridades indicam que o grupo familiar utilizava as instalações como fachada para escoar armas e munições ao Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país.

Nome de Bazzana já é alvo de investigação
Segundo relatório da Polícia Civil do Rio de Janeiro à luz da época, o nome de Eduardo Bazzana figurou em uma planilha obtida durante a quebra de sigilo telemático de um dos integrantes da quadrilha. Entre os dados analisados, consta que ele teria movimentado cerca de R$ 1,6 milhão em um intervalo de 40 dias, referente à venda de carregadores e munições para armamentos como AR-10, AR-15, AK-47 e 7.62 — todos de uso restrito.
A apuração das autoridades fluminenses partiu de flagrantes registrados em Duque de Caxias no início de 2023, onde cadernos com contatos de fornecedores levaram à autorização judicial para interceptações telefônicas. Ao longo de um ano e meio de investigação, a polícia desmantelou um esquema que abastecia comunidades como Cidade de Deus, Penha, Complexo do Alemão e Muzema.
Estrutura de fachada movimentava elite local
Antes da deflagração da operação, Eduardo Bazzana, 68, era tido como um empresário respeitado em Americana. À frente de um clube com mais de 7 mil associados, o empresário atraía médicos, advogados, políticos e até policiais civis e militares para sua estrutura de tiro, que já sediou um campeonato sul-americano e dispõe de área gourmet, estacionamento para 100 veículos e acessibilidade para pessoas com deficiência.
A suposta respeitabilidade, no entanto, contrastava com a realidade exposta pelos relatórios de inteligência financeira (RIFs) do Coaf. O documento revela que Bazzana teria transferido R$ 49 mil para a conta de um suspeito de lavagem de dinheiro ligado ao tráfico e recebido R$ 94 mil de um foragido do Rio acusado de homicídio.

Defesa nega envolvimento
Na época de sua prisão, em maio, a defesa de Bazzana afirmou ao jornal O Globo que ele é inocente. O advogado Rogério Dini sustentou que a prisão preventiva é “ilegal” e que a reputação de seu cliente será restabelecida no decorrer do processo.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados da família após a operação mais recente. O espaço permanece aberto para manifestações.