O Ministério Público de São Paulo e o 1º Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (BAEP) desarticularam um plano arquitetado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para matar o promotor de Justiça Amauri Silveira Filho, que atua no Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), em Campinas. A operação, deflagrada na manhã desta sexta-feira (29), resultou na prisão de dois empresários e no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão.
De acordo com o MP, o namorado da filha de um dos suspeitos também foi apreendido para apurar se houve tentativa de obstrução da justiça, porque a equipe encontrou o celular dele quebrado sobre o telhado de um imóvel vizinho durante a operação.
Segundo as investigações, os suspeitos financiaram a ação criminosa, que tinha como objetivo eliminar o promotor responsável pela Operação Linha Vermelha um conjunto de apurações que tinha como foco organizações criminosas armadas, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com ênfase na atuação do PCC.

Quem é o promotor ameaçado?
Amauri Silveira Filho atua há mais de uma década no Ministério Público e se especializou no combate ao crime organizado. É considerado um dos nomes mais atuantes na repressão a facções criminosas em Campinas. À frente da operação Linha Vermelha, o promotor identificou e denunciou esquemas milionários de lavagem de dinheiro, que envolvem tanto integrantes da facção quanto empresários ligados ao setor automotivo e de transportes.
Amauri já foi coordenador do Gaeco e liderou diversas forças-tarefas estaduais e interestaduais voltadas ao enfrentamento de organizações criminosas, inclusive em regiões de fronteira. Ele também já foi alvo de ameaças. Em 2013, o promotor recebeu uma carta anônima com ameaças de morte, entregue na sede do MP em Campinas. Na época, ele investigava um esquema de corrupção na Polícia Civil.
‘Mijão’, chefe do PCC, articulou o plano, diz MP
De acordo com o MP, o plano foi articulado por Sérgio Luiz de Freitas Filho, conhecido como “Mijão”, um dos principais líderes do PCC. Foragido da Justiça brasileira, ele estaria escondido na Bolívia, de onde continuaria a comandar operações do crime organizado.
Ainda segundo o Ministério Público, “Mijão” teria autorizado e articulado diretamente o atentado, com o objetivo de retaliar e silenciar as investigações conduzidas por Amauri.