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Violência contra a mulher: pedidos de medidas protetivas mais que triplicam em Sumaré

Pedidos de medidas protetivas cresceram em cidades da região de Campinas; em Sumaré, número saltou de 133 para 470 em um ano, segundo dados do TJ-SP

O número de pedidos de medidas protetivas registrou aumento em diversas cidades da região de Campinas. Em Sumaré, os casos mais que triplicaram entre 2024 e 2025, segundo levantamento do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP).

Sumaré registrou 133 pedidos de medidas protetivas em 2024. Já em 2025 foram 470 solicitações, um crescimento de 253,4% em apenas um ano.

As medidas protetivas são decisões judiciais previstas na Lei Maria da Penha e têm como objetivo proteger mulheres em situação de violência doméstica ou ameaça. Entre as determinações estão o afastamento do agressor, a proibição de contato com a vítima e restrições de aproximação.

A ordem judicial deve ser analisada em até 48 horas, e o descumprimento pode resultar em prisão.

Campinas lidera número de pedidos na região

Entre as cidades analisadas, Campinas concentra o maior número de solicitações de medidas protetivas.

  • Campinas: 2.242 pedidos em 2024 → 2.376 em 2025
  • Sumaré: 133 → 470
  • Indaiatuba: 533 → 558
  • Americana: 597 → 368
  • Hortolândia: 521 → 437

Mesmo com oscilações em algumas cidades, os dados indicam que milhares de mulheres recorrem ao sistema judicial todos os anos para buscar proteção.

Outras cidades da região também registram pedidos

Outros municípios da região de Campinas também aparecem no levantamento do Tribunal de Justiça:

  • Mogi Guaçu: 315 → 327
  • Valinhos: 208 → 196
  • Paulínia: 188 → 201
  • Mogi Mirim: 243 → 304
  • Vinhedo: 84 → 118
  • Itapira: 243 → 229
  • Amparo: 171 → 163

Na região do Circuito das Águas, os registros também aparecem:

  • Serra Negra: 55 → 58
  • Águas de Lindóia: 60 → 48
  • Socorro: 101 → 83
  • Espírito Santo do Pinhal: 137 → 138
  • Pinhalzinho: 34 → 36

Crescimento também aparece em cidades menores

Municípios de menor porte também registraram pedidos de medidas protetivas:

  • Monte Mor: 132 → 156
  • Jaguariúna: 270 → 213
  • Louveira: 112 → 112
  • Artur Nogueira: 219 → 216
  • Pedreira: 111 → 131

Os dados mostram que a violência contra a mulher não está restrita às grandes cidades e aparece em diferentes municípios da região.

Delegada aponta aumento da violência

A delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Sumaré, Nathalia Alves Cabral, afirma que o aumento dos pedidos reflete tanto a maior procura por ajuda quanto o crescimento dos casos de violência.

“Mulheres têm denunciado mais, porém a violência aumentou de forma considerável. Eu trabalho há cinco anos em DDM e estou assustada com o crescimento dos números”, afirmou.

Segundo ela, apenas em 2026, a cidade já registrou um feminicídio e duas tentativas de feminicídio.

Especialista alerta para subnotificação

Para a advogada especialista em gênero Thaís Cremasco, os dados ainda não refletem totalmente a realidade.

“Quando uma mulher faz um boletim de ocorrência, a violência já aconteceu. Quando ela pede uma medida protetiva, muitas vezes já está com medo de morrer”, explica.

A especialista também aponta a necessidade de políticas públicas de prevenção, que atuem antes da violência acontecer.

Prefeitura diz que aumento reflete rede de proteção

Em nota, a Prefeitura de Sumaré afirmou que o crescimento nos pedidos está relacionado ao fortalecimento da rede de proteção às mulheres e ao incentivo para que vítimas denunciem agressões.

A administração municipal destacou que criou, em maio de 2025, uma secretaria específica voltada às políticas públicas para mulheres.

O que é medida protetiva

A medida protetiva de urgência é um mecanismo da Lei Maria da Penha para proteger mulheres em situação de violência.

Entre as principais determinações estão:

  • afastamento do agressor
  • proibição de contato com a vítima
  • suspensão do porte de armas
  • retirada do agressor da residência

Como denunciar violência contra a mulher

Mulheres que sofrem violência podem procurar a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) ou registrar denúncia pelo telefone 180, que funciona 24 horas em todo o Brasil. O atendimento é gratuito e garante orientação e encaminhamento para serviços de proteção.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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