Abalado por decisões internas do PL, o ex-presidente Jair Bolsonaro teve uma crise nervosa nesta semana ao ser informado sobre a articulação de seu filho, Eduardo Bolsonaro, para lançar André do Prado (PL) ao Senado por São Paulo. O movimento, capitaneado pelo presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, gerou forte irritação em Bolsonaro, que se sente desautorizado. Segundo aliados, o ex-presidente não pretende apoiar a candidatura de Prado, por considerar que o nome representa o “Centrão fisiológico” e desmoraliza sua base eleitoral.

O conflito familiar e político
A crise estourou após Eduardo Bolsonaro anunciar, diretamente dos Estados Unidos, que será o primeiro suplente de André do Prado, atual presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). A decisão foi tomada sem consulta prévia ao ex-presidente. Atualmente preso e com limitações para articular publicamente, Jair Bolsonaro manifestou a interlocutores que sua escolha pessoal para a vaga era o coronel Mello Araújo, atual vice-prefeito da capital paulista e representante da ala ideológica.
Eduardo justificou o apoio a Prado afirmando que, embora ele não seja um nome da “militância ideológica”, é um político experiente e sem escândalos. No entanto, a base bolsonarista e figuras como Ricardo Salles e o comentarista Rodrigo Constantino reagiram negativamente, classificando a escolha como uma “capitulação” ao Centrão.

Resistência interna e críticas da direita
Dentro do PL, a ala ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro já está ciente do descontentamento do ex-presidente. A resistência ao nome de André do Prado baseia-se no histórico do político, visto como um aliado de primeira hora de Valdemar Costa Neto e distante das pautas conservadoras puras.
Para críticos do movimento, a operação repete erros do passado. Ricardo Salles chegou a declarar que “o centrão é pior que a esquerda”. A situação de Eduardo também é incerta juridicamente: por ter sido cassado por excesso de faltas, sua elegibilidade como suplente deverá ser analisada pela Justiça Eleitoral, podendo enfrentar um período de oito anos de inegibilidade.
O futuro da chapa em SP
Enquanto o clã Bolsonaro se divide, a composição da chapa para o Senado em São Paulo segue indefinida no campo prático. Além de Prado, a outra vaga da coligação deve ficar com o deputado federal Guilherme Derrite (PP). Do outro lado, Mello Araújo usou as redes sociais para agradecer a indicação original de Bolsonaro, reforçando que “muitos não querem um político honesto”, em clara indireta à manobra de Valdemar e Eduardo.