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#ANULAENEM entra em alta; a prova pode realmente ser anulada? Entenda

Inep confirma anulação de três questões, mas não divulga quais e nem garante anulação total do exame. Relembre a "fraude do Enem de 2009"
#ANULAENEM entra em alta; a prova pode realmente ser anulada? Entenda

O suposto vazamento do Enem 2025 tem tomado as redes sociais na tarde desta terça-feira (18). O caso que começou como uma discussão no X chamou atenção da imprensa, do Ministério da Educação e agora da Polícia Federal. O órgão foi acionada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) para apurar a autoria e a possível quebra de sigilo relacionada a uma live nas redes sociais que apresentou questões consideradas semelhantes às cobradas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025, antes mesmo da aplicação da prova.

O pedido de investigação abrange tanto a análise da autoria da transmissão quanto a responsabilização dos envolvidos por eventual conduta dolosa ou violação de confidencialidade. O Inep confirmou a anulação de três questões, sem, no entanto, detalhar quais foram descartadas, e sem anular totalmente o exame.

Nas redes sociais, a repercussão gerou forte reação pública e a hashtag #ANULAENEM chegou ao topo dos assuntos mais comentados no país, com mais de 25,8 mil menções apenas nesta terça.

Entre as evidências levantadas por internautas, chamou atenção um dado do Google Trends, que apontou pico de buscas (índice 100), ainda no dia 27 de setembro, para o tema “perspectivas acerca do envelhecimento na sociedade brasileira”, exatamente o título utilizado na proposta de redação deste ano.

Apesar da anulação das questões tidas como “muito semelhantes”, o Inep afirmou que “Nenhuma questão foi apresentada tal qual na edição de 2025 do exame. Na divulgação observada nas redes sociais, foram identificadas similaridades pontuais entre os itens.”

#ANULAENEM entra em alta; a prova pode realmente ser anulada? Entenda
Diversos internautas ficaram indignados com o caso (Imagem: Reprodução)

Professor chama atenção por mentoria

As suspeitas ganharam corpo na tarde desta terça-feira, 18, quando candidatos que prestaram a prova relataram nas redes sociais que um professor do Ceará, identificado como Edcley S. Teixeira, teria antecipado parte do conteúdo da avaliação. As publicações apontam que o docente, que também cursa Medicina e comercializa pacotes de monitoria, utilizou um método próprio, chamado por ele de “engenharia reversa“, para simular a estrutura da prova.

Em vídeos divulgados antes do exame, Edcley detalha questões e oferece explicações sobre conteúdos com semelhança textual e temática ao que de fato foi apresentado no primeiro dia do Enem, realizado no domingo, 16.

#ANULAENEM entra em alta; a prova pode realmente ser anulada? Entenda
As questões apresentadas pelo mentor chamam atenção pelo grau de similaridade com as questões oficiais (Foto: Reprodução / Redes sociais)

O Enem pode ser anulado?

Apesar da alta repercussão com a #ANULAENEM, não está claro se a prova pode ser anulada integralmente, isso porque o MEC possui protocolos muito rígidos para gerenciar crises como essa, muitas partindo de anulações pontuais, desclassificações e, ou, adiamentos.

Além da pandemia de 2020 que adiou a prova para o ano seguinte, o Brasil só presenciou uma suspensão total da prova em 2009, quando uma fraude generalizada foi identificada. Mesmo assim, o desfecho não foi a anulação total dela, uma vez que se quer havia sido aplicada.

Naquele ano, o sistema do MEC foi alvo de um mega vazamento dos candidatos, abrangendo de 2007 a 2009. O site do Enem de 2009 foi marcado por congestionamentos para as inscrições, o que dificultou a adesão dos jovens. Para mitigar a falha, a Justiça do Rio de Janeiro chegou a determinar a reabertura das inscrições e prorrogação do prazo. Após isso, os problemas não acabaram. Dentre reclamações sobre os locais da prova e dificuldades com as inscrições, o que fez o exame ser adiado por completo foi para evitar uma fraude por conta dos cadernos da prova.

Dias antes da realização dos exames, os cadernos foram furtados e vazados à imprensa. Para conter a situação, o calendário teve de ser alterado de outubro para dezembro. Consequentemente, instituições federais e estaduais tiveram que alterar as datas do seus respectivos vestibulares. Os gastos com a aplicação do novo Enem após os vazamentos, giraram em torno de R$131,9 milhões.

E, mesmo assim, em 2010, o Inep passou por novos vazamentos de dados pessoais dos candidatos, que foram divulgadas indevidamente no site. Apesar de 2009 talvez ter sido o “pior ano” para o Inep, o Enem não chegou a ser anulado integralmente, e tão pouco sabemos em que teor as questões foram alteradas para conter os vazamentos.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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