A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) formou um grupo para analisar a eficácia da vacina contra a dengue produzida pelo Instituto Butantan. A informação foi divulgada nesta terça-feira (16).
A medida da Anvisa tem como objetivo de reunir especialistas do próprio órgão, das áreas de farmacovigilância, produtos biológicos, monitoramento de produtos e inspeção sanitária. Também pode participar, como convidado, o Programa Nacional de Imunizações (PNI), para analisar os dados clínicos de possíveis efeitos adversos registrados após a aplicação da vacina.
Devem ser incluídos nas reuniões profissionais externos à agência, selecionados de acordo com critérios de qualificação técnica.
O grupo feita sob a Portaria nº 715/2026 tem duração indeterminada e permanece ativo enquanto houver necessidade tendo foco também em orientar as avaliações técnicas dos casos notificados.
As conclusões do grupo de trabalho e do painel de especialistas devem servir de base técnica para as decisões da Diretoria Colegiada da Anvisa, que é responsável pelas decisões definitivas sobre o assunto.
Histórico
O Ministério da Saúde informou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante produzido pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada no começo do mês após registros de pessoas que apresentaram sintomas graves depois da aplicação da dose.
Ao anunciar a medida, a ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou que ainda não há confirmação de ligação direta entre os casos e a vacina, mas explicou que a suspensão foi adotada como forma de precaução.
Apesar da suspensão, o Instituto Butantan destacou que a vacina apresentou eficácia global de 79,6% e de 89% contra casos graves de dengue, segundo estudo publicado em uma revista científica internacional.
O imunizante do Butantan foi incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em janeiro deste ano. A partir disso, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição em três municípios-piloto: Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Nessas localidades, o público-alvo incluiu adolescentes e adultos de 15 a 59 anos.
Em fevereiro, a campanha foi ampliada para profissionais da atenção primária à saúde, com a meta de imunizar cerca de 1,2 milhão de trabalhadores que atuam na linha de frente de unidades e postos de saúde.
Mesmo assim, a vacinação com o imunizante Qdenga, produzido pelo laboratório Takeda, continua normalmente e é recomendada para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, enquanto a vacina do Butantan é indicada apenas para pessoas a partir de 15 anos.
Sintomas: Vacina
Pessoas vacinadas com esse imunizante devem ficar atentas ao surgimento de sintomas nos 21 dias seguintes à aplicação. Entre os sinais de alerta estão:
- febre;
- dor abdominal intensa e persistente;
- vômitos frequentes;
- tontura;
- sangramentos;
- sonolência excessiva;
- irritabilidade;
- sinais de desidratação.
Pessoas que apresentarem piora do estado de saúde devem procurar atendimento médico. A aplicação da vacina do Instituto Butantan permanece suspensa.