Os Correios decidiram suspender temporariamente o fechamento de agências previsto no plano de reestruturação da empresa. A medida foi adotada durante as negociações com os sindicatos que representam os trabalhadores, após o anúncio de uma possível greve. Segundo a estatal, a interrupção permanecerá em vigor até que haja um entendimento entre as partes.
Suspensão busca ampliar diálogo com trabalhadores
A decisão ocorre em meio à implementação do plano de reestruturação iniciado em 2025, voltado à recuperação financeira da empresa. Embora o encerramento de unidades tenha sido interrompido, outras iniciativas de redução de despesas continuam em andamento, como a venda de imóveis.
De acordo com os Correios, a suspensão tem caráter temporário e pretende permitir que os sindicatos apresentem sugestões, dúvidas e questionamentos sobre as medidas previstas na reestruturação.
Na semana anterior, entidades representativas dos empregados sinalizaram a possibilidade de paralisação devido à insatisfação com as mudanças planejadas. Em resposta, a direção da empresa encaminhou uma proposta para dar início às negociações.
Fechamento de unidades segue como parte do plano
O encerramento de agências permanece como uma das principais estratégias para reduzir custos da estatal. O planejamento prevê o fechamento de mil unidades em todo o país, mas, até o momento, 256 já foram desativadas.
Segundo estimativas da empresa, a conclusão dessa etapa poderá gerar uma economia de aproximadamente R$ 2,1 bilhões.
Outro ponto previsto no plano é o lançamento de um novo Programa de Demissão Voluntária (PDV). A iniciativa deverá atender exclusivamente funcionários das unidades que serão encerradas, alcançando cerca de 7 mil empregados.
Na primeira etapa do programa realizada neste ano, 3.181 trabalhadores aderiram voluntariamente, número que representa cerca de 31% do público-alvo. Conforme informações divulgadas anteriormente, uma nova rodada do PDV poderá responder por até 45% da economia projetada com a reestruturação.
Prejuízo cresce no primeiro trimestre
O plano de reestruturação ocorre em um momento de agravamento da situação financeira dos Correios. No primeiro trimestre de 2026, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 3,158 bilhões, valor superior às perdas de R$ 1,725 bilhão contabilizadas no mesmo período de 2025.
Segundo o relatório contábil da estatal, o resultado é consequência da redução contínua das receitas dos serviços postais tradicionais e do aumento da concorrência em segmentos considerados mais rentáveis da logística, especialmente o comércio eletrônico.
Apesar desse cenário, o Banco do Brasil anunciou a assinatura de um contrato de R$ 2,3 bilhões com os Correios. O acordo, válido por cinco anos, prevê a prestação de serviços postais convencionais, especiais e telemáticos, em território nacional e internacional. A instituição financeira informou que a contratação cumpriu todas as etapas técnicas, jurídicas e administrativas exigidas.
*Com informações da CNN*