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Entenda o impacto do acordo assinado entre União Europeia e o Mercosul

Tratado cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, mas ainda depende da ratificação dos parlamentos europeus e do Mercosul
Entenda o impacto do acordo assinado entre União Europeia e o Mercosul

Após mais de duas décadas de tratativas diplomáticas, os 27 países da União Europeia autorizaram nesta sexta-feira (9) a assinatura do acordo de livre comércio com o Mercosul, estabelecendo as bases para a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com compromissos em áreas como comércio, meio ambiente e cooperação política.

A decisão foi tomada durante reunião de embaixadores em Bruxelas, com maioria qualificada, mesmo diante de resistência explícita de França, Polônia e Irlanda. Com a autorização política do Conselho da União Europeia, o tratado poderá ser formalmente assinado, mas ainda não entrará em vigor.

A proposta inclui dois instrumentos principais:

  • Acordo de Parceria Abrangente, que vai além da pauta comercial e abrange cooperação institucional;
  • Compromissos multilaterais, e um acordo interino, que antecipa parte das medidas comerciais antes da ratificação pelos parlamentos nacionais.

A Comissão Europeia e países como Alemanha e Espanha defendem o acordo como estratégico para reduzir dependências externas e garantir acesso a matérias-primas consideradas críticas.

O texto prevê redução progressiva de tarifas, unificação de normas técnicas e proteção a setores considerados sensíveis, sobretudo o agrícola. A União Europeia reforçou que foram incorporadas cláusulas ambientais e mecanismos de salvaguarda para atenuar os efeitos sobre produtores locais.

Reações divergentes nos blocos

A aprovação gerou reações contrastantes. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a decisão como “um dia histórico para o multilateralismo”, ao destacar que o acordo une dois blocos que somam cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB conjunto estimado em US$ 22,4 trilhões.

Segundo ele, a medida representa um contraponto ao avanço de agendas protecionistas e unilaterais no cenário global.

Estudos internos do governo brasileiro apontam que o principal beneficiado será o setor agroindustrial, com crescimento adicional estimado em 2% ao longo de 17 anos, segundo projeções do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Lula e Presidente da Comissão Europeia
Lula ao lado da Presidente da Comissão Europeia, Ursula Von Der Leyen (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

No mesmo período, os setores de serviços, extração mineral e indústria de transformação também devem apresentar variações positivas, ainda que modestas. Algumas áreas específicas, contudo, tendem a registrar perdas pontuais — entre elas, os segmentos de equipamentos elétricos e máquinas.

Na Europa, o avanço das tratativas mobilizou protestos. Produtores rurais realizaram manifestações e bloqueios em países como França, Bélgica e Polônia, denunciando que o acordo tende a pressionar o mercado interno com a entrada de alimentos mais baratos, como carne bovina e açúcar, vindos da América do Sul. A França, maior potência agrícola do bloco, lidera a oposição ao tratado, mesmo após a inclusão de cláusulas protetivas.

Apesar do sinal verde, o acordo ainda depende de novas etapas institucionais. O Parlamento Europeu precisará ratificar o texto, e no caso do Acordo de Parceria Abrangente, será necessário o aval de parlamentos nacionais dos países-membros da UE, além das respectivas instâncias legislativas dos países do Mercosul. Só então o tratado poderá entrar plenamente em vigor.

Setores celebram oportunidade estratégica

Representantes da indústria brasileira celebraram a sinalização europeia como um passo relevante para a integração produtiva e o fortalecimento do comércio baseado em regras. A Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT) se manifestou a favor do tratado, apontando que o acordo viabiliza expansão do comércio com países de práticas justas, cooperação tecnológica, diálogo sobre sustentabilidade e fortalecimento de setores criativos.

“A ABIT celebra essa evolução no relacionamento multilateral e reafirma seu compromisso com iniciativas que promovam crescimento econômico, geração de emprego, modernização da indústria e integração produtiva global”, escreveu a entidade.

A entidade também destacou os efeitos esperados na qualificação de mão de obra e na inserção internacional da indústria nacional.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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