O Brasil registrou queda nas mortes violentas em 2025, mas o feminicídio avançou na direção contrária. O país contabilizou 40.775 mortes violentas intencionais, redução de 8,2% em relação ao ano anterior. Ao mesmo tempo, 1.571 mulheres morreram em crimes motivados por violência doméstica ou pela condição de gênero.
Os números fazem parte do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O levantamento reúne informações fornecidas pelas secretarias estaduais e por outros órgãos oficiais.
Mortes violentas caem 8,2% no Brasil
As mortes violentas intencionais incluem homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes causadas por intervenções policiais.
Em 2025, a taxa nacional ficou em 19,1 vítimas para cada 100 mil habitantes. O resultado representa o menor patamar da série histórica iniciada em 2012.
Desde o começo da série, o Brasil acumulou mais de 737 mil mortes violentas. Apesar da redução recente, o número ainda representa uma média superior a 100 vítimas por dia.
A queda ocorreu em 20 estados e no Distrito Federal. Apenas sete unidades da federação apresentaram crescimento no indicador durante o período.
Homicídios e latrocínios também diminuíram
O país registrou 32.914 vítimas de homicídio doloso em 2025, queda de 10% na comparação com 2024. Esse tipo de crime ocorre quando existe a intenção de matar.
Os latrocínios, roubos que resultam na morte da vítima, diminuíram 17%. Foram 807 vítimas em todo o território nacional.
As lesões corporais seguidas de morte também recuaram. O total chegou a 659 vítimas, uma redução de 15,2% em um ano.
Com a queda dos homicídios, o Brasil alcançou antes do prazo uma das metas do Plano Nacional de Segurança Pública. O objetivo previa reduzir a taxa para menos de 16 homicídios por 100 mil habitantes até 2030.
Feminicídio cresce mesmo com redução da violência letal
O feminicídio aumentou 4% em 2025 e chegou a 1.571 vítimas. O total representa o maior número registrado desde o início da série do levantamento.
A maioria das vítimas, 65,1%, era negra. Mulheres entre 25 e 44 anos representaram 56,5% dos casos analisados.
A residência da vítima concentrou 62,5% dos crimes. O dado mostra que, para muitas mulheres, a violência fatal ocorre justamente dentro de casa.
Companheiros cometeram 60,9% dos feminicídios com autoria conhecida. Ex-companheiros responderam por outros 18,9%. Somados, os dois grupos representam quase oito em cada dez autores.
Facas e outros objetos cortantes apareceram em 50,8% dos casos. Já as armas de fogo foram usadas em 22,5% dos crimes.
Violência contra mulheres vai além do feminicídio
O levantamento também mostra aumento em outros crimes praticados contra mulheres. Os registros de ameaças, perseguição e violência psicológica continuaram em níveis elevados.
O Anuário ainda aponta casos em que mulheres tinham medidas protetivas ativas no momento da morte. A situação reforça os desafios para proteger vítimas que já haviam procurado ajuda.
O relatório destaca que a queda geral das mortes violentas não chegou da mesma forma a todos os grupos. Enquanto homicídios e latrocínios diminuíram, a violência contra mulheres continuou avançando.
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Mortes provocadas por policiais aumentaram
As mortes causadas por intervenções policiais também seguiram na direção contrária à queda geral. O país registrou crescimento nesse indicador em 2025.
O aumento mostra que a redução das mortes violentas ocorreu principalmente entre os homicídios dolosos, latrocínios e lesões seguidas de morte.
Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, o cenário exige políticas específicas para enfrentar a violência policial e proteger mulheres em situação de risco.
Em emergências, vítimas ou testemunhas de violência contra a mulher podem acionar a Polícia Militar pelo número 190. O Ligue 180 também recebe denúncias e orienta sobre os serviços disponíveis em todo o país.
Serviço
Para denunciar casos de violência contra a mulher:
- Disque 190 (Polícia Militar)
- Disque 180 (Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher)
- Disque 181 (Disk Denúncia)
- Delegacias de Defesa da Mulher (veja os endereços)
- Delegacia Eletrônica da Polícia Civil (acesse aqui)
- Atendimento presencial em delegacias de polícia e salas DDM Online (veja lista de endereços aqui)