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Mais de 64 meninas sofrem violência sexual por dia no Brasil, aponta levantamento

Diálogo, educação e acolhimento são ferramentas de proteção
Representação visual sobre a conscientização e prevenção da violência sexual contra crianças e adolescentes no contexto da campanha Maio Laranja.

A violência sexual segue crescendo no Brasil e acende um alerta sobre a importância da prevenção, do acolhimento e da denúncia. Aproveitando a campanha Maio Laranja, especialistas reforçam que o combate à violência passa pela informação, pelo diálogo e pela criação de ambientes seguros para crianças, adolescentes e adultos.

Dados divulgados pelo Mapa Nacional da Violência de Gênero apontam que, entre 2011 e 2024, uma média de 64 meninas por dia sofreram violência sexual no país. Somente em 2024, foram mais de 45 mil casos registrados envolvendo vítimas de até 17 anos.

Além disso, o Disque 100 registrou aumento de quase 50% nas denúncias de violações sexuais contra crianças e adolescentes nos primeiros meses de 2026.

O que é violência sexual?

A violência sexual acontece sempre que existe qualquer ato de natureza sexual sem consentimento. Isso inclui situações de abuso, assédio, intimidação, exposição íntima, coerção psicológica e até relações em que a vítima não consegue expressar vontade ou oposição.

Muitas vezes, esse tipo de violência acontece de forma silenciosa e dentro de ambientes considerados seguros, envolvendo pessoas próximas da vítima.

A sexóloga Day Giroto explica que o conceito vai muito além do que muitas pessoas imaginam.

“Pode envolver toque sem permissão, pressão, chantagem, ameaças, exposição íntima, assédio e até situações em que a pessoa não tem condições de consentir. O ponto principal é entender que quando existe imposição, medo ou ausência de escolha, existe violência”, afirma.

Quais sinais podem indicar situações de violência sexual?

Nem sempre vítimas conseguem falar abertamente sobre situações de violência. Por isso, mudanças bruscas de comportamento podem funcionar como sinais de alerta, principalmente entre crianças e adolescentes.

Entre os sinais mais comuns estão:

  • Queda no rendimento escolar;
  • Ansiedade constante;
  • Alterações emocionais
  • Alterações no sono ou alimentação;
  • Agressividade;
  • Vergonha excessiva;
  • Resistência em ficar perto de determinadas pessoas;
  • Isolamento social repentino.

A sexóloga explica que alguns comportamentos podem indicar sofrimento emocional relacionado à violência.

“Mudanças bruscas de comportamento, isolamento, medo excessivo, queda no rendimento escolar, tristeza intensa, vergonha, ansiedade ou resistência incomum a determinadas pessoas podem ser sinais de alerta”, afirma.

A especialista reforça que nenhum sinal isolado confirma violência, mas situações persistentes exigem cuidado, escuta e atenção.

Menina em expressão de vulnerabilidade ou silêncio, ilustrando o dado estatístico de que 64 meninas sofrem violência sexual por dia no Brasil.
Foto: Magnific

Consentimento ainda precisa ser debatido

O debate sobre consentimento ganhou mais espaço nos últimos anos, mas ainda existe desinformação sobre o tema. Muitas situações abusivas acabam sendo normalizadas por pressão emocional, insistência ou dificuldade de identificar limites dentro de relacionamentos e interações do dia a dia.

Day afirma que consentimento precisa ser entendido como algo claro e contínuo.

“Consentimento não é algo dado uma vez e válido para sempre. Ele precisa ser claro, respeitado e pode ser retirado a qualquer momento”, explica.

Segundo a especialista, falar sobre respeito e limites ajuda na construção de relações mais saudáveis e conscientes.

Diálogo ajuda na prevenção

Muitas famílias ainda tratam conversas sobre sexualidade, proteção e limites como tabu. No entanto, campanhas como o Maio Laranja reforçam que o diálogo pode ser uma das principais ferramentas de prevenção da violência sexual.

Informações divulgadas pela campanha nacional destacam que crianças e adolescentes que entendem limites corporais conseguem identificar situações inadequadas com mais facilidade.

Para Day Giroto, o silêncio pode aumentar situações de vulnerabilidade.

“Quando sexualidade vira tabu, dúvidas, medos e situações de risco acabam sendo vividos em silêncio. Falar protege”, diz.

A especialista explica que o diálogo ajuda crianças, adolescentes e adultos a reconhecerem comportamentos inadequados e cria ambientes mais seguros para pedidos de ajuda.

Internet amplia riscos e vulnerabilidades

Além dos ambientes presenciais, a violência sexual também ganhou novas formas no ambiente digital. Segundo dados da SaferNet divulgados em 2024, mais de 2,6 milhões de usuários foram identificados em grupos e canais relacionados ao abuso e à exploração sexual infantil em plataformas online.

O levantamento mostra um crescimento de casos envolvendo manipulação online, compartilhamento de imagens íntimas e exploração sexual infantil pela internet.

A sexóloga Day Giroto alerta que muitas abordagens começam de maneira aparentemente inofensiva.

“Muitas vezes a violência começa de forma aparentemente inofensiva, através de conversas que criam confiança”, afirma.

Ela reforça que educação digital, supervisão e diálogo sobre redes sociais são fundamentais para reduzir riscos.

Criança em momento de introspecção, simbolizando a importância de identificar sinais de abuso e mudanças de comportamento em menores.
Foto: Canva

Maio Laranja reforça importância da denúncia

O Maio Laranja surgiu para conscientizar a sociedade sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes. A campanha ganhou força nacional após a criação da Lei nº 14.432/2022 e tem como símbolo a flor laranja, que representa cuidado e proteção da infância.

Neste ano, o Governo Federal também oficializou a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual da Criança e do Adolescente, com foco em fortalecer a rede de proteção e ampliar ações preventivas.

Os materiais da campanha reforçam que denunciar é essencial para interromper ciclos de violência e proteger outras vítimas.

Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados pelo:

  • Disque 100;
  • Ligue 180;
  • Polícia Militar, pelo 190;
  • Conselho Tutelar;
  • Delegacias especializadas.

Acolhimento faz diferença

O acolhimento é considerado uma etapa fundamental para vítimas de violência sexual. Informações do Ministério da Saúde apontam que escuta qualificada, apoio psicológico e atendimento humanizado ajudam na recuperação emocional e no acesso à proteção.

A sexóloga Day Giroto afirma que julgamentos e culpabilização podem afastar vítimas da busca por ajuda.

“Perguntas como ‘por que estava lá?’ ou ‘que roupa estava usando?’ aumentam a dor e podem afastar a pessoa da busca por ajuda. A responsabilidade nunca é de quem sofreu a violência”, diz.

Segundo a especialista, acolher sem julgamentos pode ser o primeiro passo para reconstruir a sensação de segurança e autoestima das vítimas.

Serviço

Para denunciar casos de violência contra a mulher:

  • Disque 190 (Polícia Militar)
  • Disque 180 (Polícia Militar – Central de Atendimento à Mulher)
  • Disque 181 (Disk Denúncia)
  • Delegacias de Defesa da Mulher (veja os endereços)
  • Delegacia Eletrônica da Polícia Civil (acesse aqui)
  • Atendimento presencial em delegacias de polícia e salas DDM Online (veja lista de endereços aqui)


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Autor

  • Bruna Santos

    Jornalista e redatora com experiência em produção de conteúdo digital. Atuou em portais de notícia, rádio e agências, escrevendo para áreas como finanças, saúde, direito e bem-estar. Pós-graduada em Comunicação e Marketing, se especializou em produção de conteúdo informativo para sites.

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