Trabalhadores dos Correios de nove estados entraram em greve por tempo indeterminado a partir da última quarta-feira (17), em protesto contra medidas da estatal e diante da ausência de um acordo coletivo de trabalho com reajuste salarial para a categoria. A paralisação envolve sindicatos do Ceará, Paraíba, Mato Grosso, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, enquanto outros 24 sindicatos optaram por não aderir ao movimento.
Apesar da deflagração da greve, os Correios garantem a normalidade nos serviços. Em nota oficial, a estatal informou que todas as agências estão funcionando e que as entregas continuam ocorrendo em todo o território nacional.
Segundo a empresa, cerca de 90% do efetivo operou normalmente no primeiro dia de paralisação. Para mitigar possíveis impactos, foram adotadas medidas contingenciais visando assegurar a continuidade dos serviços considerados essenciais.
“A paralisação é uma resposta direta à falta de avanços nas negociações e ao desrespeito com quem mantém, diariamente, o funcionamento dos Correios. Diante das ameaças de retirada de direitos e da precarização das condições de trabalho, a categoria permanece unida e determinada a resistir”, informou o Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos de SP (Sintect-SP).

Proposta de acordo
No mesmo dia do início da greve, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) apresentou uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) 2025/2026, construída após rodadas de mediação com as partes envolvidas. O documento prevê um compromisso de vigência por dois anos, com a manutenção de benefícios, estabilidade e garantias aos empregados, mesmo diante do que o próprio tribunal classificou como um cenário “econômico-financeiro desafiador” para a empresa.

De acordo com a definição técnica, o ACT representa uma negociação direta entre os sindicatos e a empresa, estabelecendo condições específicas de trabalho e benefícios, sem validade para outras categorias profissionais.
Reivindicações sindicais
O movimento grevista tem como pauta central a recomposição salarial com base na inflação acumulada, além da preservação de direitos históricos do atual ACT. A categoria também exige:
- Pagamento de adicional de 70% nas férias;
- Remuneração de 200% para trabalho aos finais de semana;
- “Vale-peru”, no valor de R$ 2.500, previsto para o período de festas de fim de ano.
Segundo a nota da estatal, a paralisação tem caráter parcial e localizado, com maior concentração nos estados do Norte, Sudeste e Sul do país.