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Guerra no Oriente Médio acende alerta para preço dos combustíveis no Brasil

Especialista aponta que cenário também pode favorecer exportações de commodities
Plataforma de extração de petróleo em alto mar representando a volatilidade no mercado internacional de energia.

A escalada do conflito no Oriente Médio já começa a provocar reflexos no mercado internacional de energia e acende um alerta para possíveis impactos no preço dos combustíveis no Brasil nas próximas semanas. A tensão na região, responsável por grande parte da produção mundial de petróleo, elevou o valor do barril e aumentou o risco de instabilidade no abastecimento.

Diante desse cenário, o Ministério de Minas e Energia (MME) criou uma Sala de Monitoramento do Abastecimento para acompanhar diariamente o mercado nacional e internacional de combustíveis e avaliar eventuais riscos ao fornecimento no país, em articulação com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e agentes do setor.

Segundo o governo federal, o monitoramento foi intensificado por causa das tensões geopolíticas no Oriente Médio, região que concentra cerca de 60% das reservas globais de petróleo. Apesar disso, a avaliação é de que a exposição direta do Brasil ao conflito ainda é limitada.

Mesmo assim, especialistas apontam que a alta do petróleo no mercado internacional pode pressionar os preços dos combustíveis no Brasil. Segundo o economista Luciano Simões*, professor de graduação e pós-graduação nas Faculdades ESAMC, STRONG e FGV, a escalada das tensões já impacta as cotações globais.

“Desde o início das hostilidades mais intensas, o petróleo do tipo Brent já acumula uma alta superior a 30%, refletindo o temor de interrupções na oferta global. Ao mesmo tempo, observamos também um movimento de fortalecimento do dólar, que tende a se valorizar em momentos de maior incerteza internacional”, afirma Luciano.

Segundo ele, a combinação de petróleo mais caro e dólar valorizado tende a pressionar o preço dos combustíveis no Brasil, que utiliza referências internacionais para a formação de preços.

“Esses dois fatores combinados pressionam o custo dos combustíveis. Ainda que o repasse não seja imediato, a tendência é que o consumidor comece a perceber ajustes nos preços da gasolina nas próximas semanas, especialmente se o petróleo permanecer em patamares elevados”, diz.

Rota estratégica sob risco

Um dos principais fatores que preocupam o mercado é o bloqueio do Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. A região conecta os grandes produtores do Golfo Pérsico aos principais mercados consumidores.

Segundo Simões, qualquer ameaça a essa passagem tem potencial para impactar diretamente o abastecimento global. “Estima-se que cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo passe por essa região. Quando há risco de bloqueio ou ataques a navios e instalações petrolíferas, o mercado reage rapidamente porque qualquer interrupção logística pode gerar redução relevante na oferta global.”

Refinaria da Petrobras operando sob influência do prêmio de risco geopolítico no preço do petróleo internacional.
Temor já vem sendo incorporado ao preço do petróleo, que passou a operar com um chamado “prêmio de risco geopolítico” (Imagem: Arquivo/ Petrobras)

Por que o Brasil é afetado

Mesmo sendo um produtor relevante de petróleo, o Brasil não está totalmente protegido das oscilações externas. De acordo com o economista, o mercado de energia é globalizado, e os preços dos derivados acompanham o comportamento internacional do barril.

“Embora o Brasil seja um produtor relevante de petróleo, o preço do barril é definido no mercado internacional. Além disso, o país ainda importa parte dos combustíveis refinados, especialmente diesel, o que aumenta a sensibilidade do mercado interno às oscilações externas”, afirma.

Outro fator que amplifica o impacto é o câmbio. “Em momentos de tensão geopolítica, o dólar costuma se fortalecer frente às moedas de países emergentes, e essa valorização amplifica o impacto do petróleo mais caro sobre os combustíveis vendidos no mercado brasileiro“, acrescenta Luciano.

Efeito duplo na economia brasileira

Apesar da pressão inflacionária, o cenário também pode trazer alguns efeitos positivos para o país. Segundo o economista, eventuais dificuldades logísticas e restrições no fluxo de petróleo e outras mercadorias podem reduzir a oferta global de commodities, elevando preços internacionais.

“Países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, podem se beneficiar de preços internacionais mais elevados, tanto no petróleo quanto em produtos agrícolas e minerais“, destaca.

Na prática, o impacto tende a ser misto. “Do ponto de vista macroeconômico, o efeito é duplo: o país pode registrar ganhos nas exportações de commodities, mas ao mesmo tempo enfrenta pressões inflacionárias internas decorrentes da alta dos combustíveis e dos custos logísticos“, conclui Luciano.

Com o conflito ainda em andamento, o mercado de energia segue atento aos próximos movimentos no Oriente Médio. Caso a tensão continue afetando rotas estratégicas e instalações petrolíferas, a expectativa é de que os preços internacionais do petróleo permaneçam elevados e que os reflexos comecem a chegar às bombas brasileiras nas próximas semanas.

*Sobre o Especialista

Luciano Simões é economista, executivo financeiro (CFO) e conselheiro empresarial, com mais de 20 anos de experiência em finanças corporativas, mercado de capitais e planejamento estratégico. Atua como economista-chefe da Simões Investimentos e professor de graduação e pós-graduação nas Faculdades ESAMC, STRONG e FGV. Ao longo da carreira, participou de projetos de reestruturação financeira, captação de recursos e expansão de empresas, colaborando com organizações como USIMINAS, Ultragaz, Cacau Show e Subway. Atualmente, também atua na gestão financeira e patrimonial de empresas, apoiando decisões estratégicas e de governança.




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Autor

  • Pietra Mesquita

    Jornalista formada pela PUC-Campinas, com experiência em produção de conteúdo, redação, redes sociais e atuação jornalística multiplataforma. Interessada por cinema, entretenimento e cultura digital.

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