A insegurança alimentar tem avançado de forma preocupante nas favelas brasileiras e já atinge mais da metade das famílias nesses territórios.
Um estudo divulgado em abril de 2026 pelo Instituto Desiderata mostra que o problema vai além da falta de comida e revela um cenário mais complexo, com dificuldades de acesso e impacto direto na saúde, especialmente de crianças.
Insegurança alimentar cresce e revela nova realidade
A insegurança alimentar atinge 60,7% das famílias que vivem em favelas, segundo levantamento do Instituto Desiderata. O dado chama atenção porque mostra que o problema está cada vez mais presente no dia a dia dessas comunidades.
Ao mesmo tempo, a pesquisa aponta uma contradição: fome e excesso de peso convivem no mesmo ambiente. Entre crianças de 5 a 10 anos, cerca de 34,7% apresentam excesso de peso, incluindo casos de sobrepeso e obesidade.
Esse fenômeno, conhecido como “dupla carga da má nutrição”, mostra que o problema não é apenas a quantidade de alimento, mas também a qualidade.
Preço e acesso dificultam alimentação saudável
O estudo destaca que o principal obstáculo para uma alimentação adequada é o custo dos alimentos. Mesmo quando itens frescos estão disponíveis, cerca de 43% das famílias afirmam que não conseguem pagar por eles.
Além disso, o acesso físico também pesa. Em muitos casos, moradores precisam caminhar mais de 30 minutos para chegar a um mercado. A maioria faz esse trajeto a pé, o que limita ainda mais as opções de compra.
Com isso, alimentos ultraprocessados acabam sendo mais consumidos, por serem mais baratos e acessíveis.
Territórios com pouca oferta de comida saudável
A pesquisa também classifica essas regiões como “desertos alimentares” e “pântanos alimentares”. Isso significa que há pouca oferta de alimentos saudáveis e grande presença de produtos industrializados.
Esse cenário influencia diretamente nas escolhas alimentares das famílias. Muitas vezes, a decisão não depende da vontade, mas do que está disponível e cabe no orçamento.
Segundo especialistas, o local onde a pessoa vive tem impacto direto na qualidade da alimentação e, consequentemente, na saúde.
Escola ainda é apoio, mas enfrenta desafios
Apesar das dificuldades, a escola surge como um ponto importante de apoio alimentar. A maioria das crianças está matriculada e parte delas faz refeições no ambiente escolar.
No entanto, nem todas conseguem aproveitar esse recurso. Em algumas regiões, poucas crianças almoçam na escola, o que levanta questionamentos sobre a qualidade da merenda e o funcionamento das instituições.
Além disso, fatores como interrupções nas aulas também afetam esse acesso, comprometendo uma rede essencial de proteção.
A insegurança alimentar segue como um desafio urgente e reforça a necessidade de políticas públicas que garantam não só comida, mas acesso real a uma alimentação saudável para todos.
*Com informações de Agência Brasil