O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, determinou nesta quinta-feira (15) a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, nova denominação da antiga vinculada ao fundo Reag DTVM. A medida ocorre em meio a uma investigação da Polícia Federal que apura se os fundos administrados pela gestora foram utilizados em fraudes ligadas ao Banco Master, também liquidado pelo BC em novembro do ano passado.
Segundo o Banco Central, a liquidação da CBSF decorre de violações às normas que regem a atividade das distribuidoras de valores mobiliários. A autarquia informou ainda ao Ministério Público Federal que transações consideradas atípicas foram realizadas por diferentes fundos da Reag com base em um empréstimo repassado pelo Banco Master.
Para conduzir o processo de liquidação, Galípolo nomeou a APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda., que será representada pelo técnico Antonio Pereira de Souza. Ele já atuou anteriormente na liquidação do Banco Bamerindus.

Avanço das investigações
A decisão do BC ocorre no momento em que a PF deflagra a segunda fase da Operação Compliance Zero, voltada a desvendar um esquema bilionário de fraudes financeiras por meio dos fundos da Reag. Na última quarta-feira (14), agentes federais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Vorcaro já havia sido preso durante a primeira fase da operação, um dia antes da liquidação do banco, e foi solto posteriormente. Na noite de quarta, Galípolo se reuniu com o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Não houve divulgação oficial da pauta do encontro.
Alvos da operação e conexão com a Reag
O fundador da Reag, João Carlos Mansur, também foi alvo da operação, mas não se encontrava no Brasil no momento das diligências.
A holding de Mansur está na mira das autoridades desde agosto do ano passado, quando foi deflagrada a Operação Carbono Oculto, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao setor de combustíveis.
As contas da Reag foram vasculhadas sob a suspeita de que seus fundos eram usados para blindar o patrimônio de grupos criminosos, por meio da aquisição de empresas e instrumentos financeiros — o que a gestora nega.

Diante do avanço das investigações e da deterioração da imagem institucional, a Reag iniciou um processo de desmonte. Vendeu parte significativa dos seus negócios e devolveu o Edifício Bothanic, sede moderna localizada na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, a poucos metros da Faria Lima, coração financeiro de São Paulo.
Operações sob suspeita
Em uma das fases da investigação, a Polícia Federal apreendeu documentos na residência de Vorcaro que tratam da movimentação de recursos em fundos administrados pela Reag. Os extratos reforçam os vínculos operacionais entre o banco e a gestora, ambos agora alvos de liquidação extrajudicial.
A Reag admitiu à época, quando da deflagração da Carbono Oculto, que um de seus fundos havia adquirido CDBs emitidos pelo Banco Master.