O ministro da justiça, Ricardo Lewandowski e o ministro da fazenda, Fernando Haddad, comentaram em coletiva de imprensa sobre as três grandes operações da PF contra o crime organizado, deflagrada em diversas cidades do Brasil.
A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) a maior operação já registrada no país contra a atuação do crime organizado no setor de combustíveis e no mercado financeiro. Batizada de Carbono Oculto, a ofensiva mobiliza 1.400 agentes em dez estados para o cumprimento de 200 mandados de busca e apreensão, envolvendo 350 alvos, com foco especial em operadores financeiros vinculados ao PCC e outras organizações criminosas.
Em coletiva concedida nesta manhã, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, destacou que a operação foi resultado da convergência de investigações anteriores conduzidas pela PF e Ministérios Públicos. “Essa investigação só foi possível por meio de um governo do Brasil”, afirmou.
Lewandowski também anunciou a criação de um núcleo permanente de combate ao crime organizado, frisando que “não poderíamos manter o combate contra o crime organizado somente por ostensiva policial”. Para ele, o crime organizado já opera de forma global, não mais regionalizada.
O ministro ainda antecipou o envio, nas próximas semanas, de um pacote legislativo ao Congresso Nacional, voltado ao enfrentamento às facções criminosas. Nos bastidores, o projeto foi apelidado de Plano Real da Segurança, em referência à reestruturação econômica da década de 1990. A proposta, segundo fontes do Congresso, poderá se tornar um dos pilares do debate eleitoral em 2026.
Já o ministro da fazenda, Fernando Haddad, comentou que os fundos transitaram cerca de R$52 bilhões em 4 anos, e que os postos “estavam à disposição do crime”.
Na capital paulista, a operação atingiu o coração do mercado financeiro nacional: apenas na Avenida Faria Lima, 42 alvos estão concentrados em fundos de investimento, corretoras e empresas com sede em cinco edifícios comerciais. A ação é resultado de uma força-tarefa coordenada entre Polícia Federal, Gaeco, Receita Federal, Receita Estadual e Polícia Militar.
Estrutura criminosa no setor de combustíveis
As investigações apontam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) infiltrou-se em parte da cadeia produtiva de etanol, gasolina e diesel, com intermediação de operadores financeiros ligados a Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. Entre os crimes investigados estão lavagem de dinheiro, estelionato, fraude fiscal, adulteração de combustíveis e crimes contra a ordem econômica.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, o saldo da operação foi:
- 141 veículos apreendidos;
- 1.500 veículos sequestrados pela justiça;
- Mais de R$300 mil apreendidos;
- 41 pessoas físicas foram alvos da operação, e 255 pessoas jurídicas;
- Bloqueio de mais R$1 bilhão, com bloqueio total de 21 fundos de investimentos;
- 192 imóveis;
- 2 embarcações;

De acordo com dados da Receita Federal, o banco investigado como principal instituição de pagamentos do esquema, o BK Bank, movimentou R$ 17,7 bilhões de forma suspeita. A estimativa é que R$ 1,4 bilhão tenha sido sonegado em tributos federais. Já no âmbito estadual, o Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (CIRA-SP) obteve o bloqueio judicial de R$ 7,6 bilhões em bens.
Entre os ativos estão quatro usinas de álcool, cinco redes de postos com mais de 300 unidades, seis refinadoras, 17 distribuidoras, quatro transportadoras e duas instituições de pagamento. Também foi identificado um esquema de importação irregular de metanol pelo Porto de Paranaguá (PR), desviado de seus destinatários fiscais e utilizado na adulteração clandestina de combustíveis — prática que, segundo a PF, gerava lucros bilionários.
Operações Quasar e Tank
Simultaneamente à Carbono Oculto, a PF executou duas operações paralelas. A Operação Quasar apura o uso de fundos de investimento como fachada para a gestão fraudulenta de recursos. Foram cumpridos 12 mandados de busca em São Paulo, Campinas e Ribeirão Preto, com sequestro de bens que somam R$ 1,2 bilhão.
Já a Operação Tank investiga um esquema de lavagem de dinheiro no Paraná que teria movimentado R$ 23 bilhões desde 2019. Segundo a PF, ao menos R$ 600 milhões foram lavados por meio de fraudes contábeis, depósitos fracionados, uso de laranjas e adulteração de combustíveis. Estão sendo cumpridos 14 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão em três estados.
