O relato de uma mãe ganhou grande repercussão nas redes sociais após ela denunciar que a filha, de apenas seis meses, foi alvo de agressões físicas dentro de uma creche municipal em Cerquilho, no interior de São Paulo.
Samantha Freitas contou que a bebê estava em período de adaptação na Creche Municipal Professora Vicentina Salvador Reginato quando recebeu uma ligação da delegacia, no dia 29 de junho. Logo após o telefonema, uma viatura da polícia foi até a sua residência para informá-la sobre a situação.
Em seguida, todos se dirigiram à creche, onde a menina ainda estava. No local, a mãe descobriu que a direção da escola já sabia das agressões há uma semana, mas não a havia comunicado.
“Ela foi agredida por uma funcionária da creche. Nunca imaginei passar por essa situação […] Era um lugar para ela estar segura. Quando cheguei ao Conselho Tutelar, vi imagens da minha filha sendo agredida. São registros de vários dias; não foi um momento isolado de perda de paciência. Foram vários dias”, relatou Samantha.
A mãe afirmou ainda que a filha, Helena, foi uma das crianças mais visadas pela agressora. Segundo ela, os vídeos que circulam na internet — que mostram a bebê sendo empurrada, sentada com força e batendo o rosto no chão — “não são nada” perto de outras cenas que ela assistiu na sede do Conselho Tutelar.
“A minha filha poderia ter morrido devido às agressões que sofreu. Na época ela tinha seis meses, hoje tem sete, mas ainda é um bebê completamente frágil. Foi Deus quem guardou a minha filha”, desabafou.
Atualmente, a principal indignação da mãe diz respeito à suposta omissão da gestão pública.
“Sabemos que o boletim de ocorrência foi feito na sexta-feira da semana do dia 22 [de junho], mas eles já sabiam desde o início da semana e esperaram a semana toda para agir. Minha filha não foi a única vítima, embora tenha sido uma das mais agredidas; houve outras crianças”, reforçou Samantha, destacando que não recebeu nenhum suporte da prefeitura.
Posicionamento da prefeitura
Em nota oficial, a Prefeitura de Cerquilho afirmou que as autoridades foram acionadas assim que o município tomou ciência do ocorrido.
“Desde o primeiro momento em que tomou conhecimento dos fatos, a Administração Municipal adotou todas as providências cabíveis: comunicou imediatamente as autoridades competentes, preservou as provas, instaurou os procedimentos internos necessários e passou a colaborar integralmente com as investigações”, declarou a gestão.
O secretário de Educação, em um vídeo gravado junto a outros secretários municipais, afirmou que o episódio se trata de um “caso isolado”.
Em contrapartida, a publicação recebeu comentários de diversos pais alegando que já houve outro caso de agressão registrado em uma escola de ensino fundamental da cidade. Os comentários da publicação foram restringidos.
Apesar das críticas à prefeitura, Samantha utilizou suas redes sociais para agradecer o auxílio recebido do Conselho Tutelar e da coordenadora da creche, que trabalharam ativamente para que a denúncia fosse formalizada.
Pedido de exoneração e petição
Agora, os pais se reuniram em uma petição para que o secretário de educação e a diretora sejam exonerados imediatamente de suas funções.
Além disso, solicitam a instalação de novas câmeras nas creches que ainda não possuem os equipamentos de monitoramento. Até a publicação desta reportagem, 1.032 pessoas assinaram a petição. Confira aqui.
Funcionária é encontrada morta
Após as denúncias e a forte repercussão do caso, a funcionária suspeita de agredir as crianças foi encontrada morta em um sítio da região.
Outros dois familiares da mulher foram hospitalizados. Até o momento, não há informações oficiais sobre a causa da morte ou das internações.
O VTV News entrou em contato com a Secretaria de Segurança Pública (SSP) para obter mais detalhes sobre as investigações, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.