O passaporte de Eliza Samudio, jovem desaparecida há 15 anos após ter sido sequestrada e morta, foi localizado em Lisboa, Portugal, na última sexta-feira, 2. O documento foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil, que acionou o Ministério das Relações Exteriores para definir a destinação oficial.
Segundo o MRE, o documento de viagem, já vencido e formalmente cancelado, será remetido à sede do Itamaraty, em Brasília, e ficará à disposição dos familiares da vítima, caso tenham interesse em recebê-lo. O consulado informou ao VTVNews que a consulta formal ao Ministério foi feita no mesmo dia do recebimento, mas a resposta oficial só foi enviada posteriormente. Ainda não se sabe como o passaporte foi parar em solo europeu.
“O Consulado-Geral em Lisboa foi instruído a remeter o passaporte, já expirado e cancelado, para a sede do Itamaraty, em Brasília. O documento ficará à disposição da família, caso tenha interesse em receber o documento de viagem”, disse o Itamaraty.
A localização do documento adiciona um novo capítulo à história, que parecia fechada, de um dos casos criminais mais emblemáticos do país. Eliza Samudio desapareceu em 2010, aos 25 anos, após afirmar que o então goleiro Bruno Fernandes era pai de seu filho recém-nascido. O corpo da jovem nunca foi localizado.

Condenação e desdobramentos do caso
Bruno foi condenado em 2013 a 22 anos e três meses de prisão por homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado. A sentença incluiu ainda a ocultação de cadáver e o sequestro do bebê que Eliza havia tido com o jogador. O julgamento reconheceu que a vítima foi mantida em cárcere num sítio do atleta em Minas Gerais, antes de ser morta por asfixia, segundo denúncia do Ministério Público. O corpo foi ocultado e jamais encontrado.
O ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, conhecido como Bola, foi sentenciado a 22 anos pelo assassinato. Outros envolvidos, como Luiz Henrique Romão (Macarrão), amigo próximo do goleiro, e Fernanda Gomes de Castro, também foram condenados por participação no sequestro. Em agosto de 2013, mais dois réus — Elenilson da Silva e Wemerson Marques, o Coxinha — foram condenados por manterem o filho de Eliza em cárcere, ambos com penas em regime aberto.
Bruno cumpre liberdade condicional desde janeiro de 2023. Após deixar o sistema prisional, chegou a atuar em clubes de futebol profissional sob autorização judicial.