A Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar a contaminação de bebidas alcoólicas com metanol, após o registro de dez casos de intoxicação e três mortes no Estado de São Paulo. Segundo o ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, há indícios de que a distribuição de bebidas adulteradas ultrapassa os limites paulistas.
“No momento, (as ocorrências) estão concentradas em São Paulo, mas tudo indica que há uma distribuição para além do Estado de São Paulo”, disse o ministro, ao justificar a atuação da PF sob argumento de que o caso “transcende o limite de um Estado”.
Casos superam média anual
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que os registros feitos entre agosto e setembro já correspondem a quase toda a média anual de intoxicações por metanol — cerca de 20 casos por ano, segundo a pasta.
“Estamos observando uma situação absolutamente diferente”, declarou Padilha, ao ressaltar que, anteriormente, os casos envolviam majoritariamente pessoas em situação de rua ou tentativas de autoagressão.
O Ministério da Saúde informou que será publicada uma nota técnica com orientações específicas para profissionais de saúde, com protocolos sobre como agir diante de casos suspeitos de envenenamento por metanol.
As investigações seguem sob responsabilidade da Polícia Federal.
Intoxicação em São Paulo
O governo de São Paulo confirmou, nesta segunda-feira (29), a terceira morte por consumo de bebidas alcoólicas adulteradas com metanol na Grande São Paulo. Um quarto óbito está sob investigação, mas a causa da contaminação ainda não foi confirmada. Além disso, cinco pessoas permanecem hospitalizadas pelo mesmo motivo.
Segundo o Ministério da Saúde, os casos apresentam um padrão peculiar. Até então, as ocorrências de intoxicação por metanol estavam, majoritariamente, associadas a pessoas em situação de vulnerabilidade que ingeriam álcool adulterado em postos de gasolina. Agora, os pacientes foram intoxicados por bebidas consumidas em ambientes sociais, como bares.
“A partir do início de setembro, em um curto intervalo de tempo, os pacientes intoxicados apresentaram histórico de ingestão recente de bebidas alcoólicas destiladas em contextos sociais de consumo, incluindo bares, e com diferentes tipos de bebidas, como gim, uísque, vodca, entre outros. Diante do caráter inédito da situação, há a possibilidade de existirem casos ainda não notificados”, informou o ministério.
O Ministério da Saúde pediu que todas as unidades de saúde, especialmente da rede de urgência e emergência, sigam o protocolo de notificação para casos suspeitos de intoxicação exógena. Enquanto isso:
- O Ministério da Justiça e Segurança Pública emitirá alertas aos Procons de todo o país, com orientações voltadas aos fornecedores;
- O Ministério da Agricultura adotará medidas para avaliar e reforçar a fiscalização de bebidas alcoólicas no mercado.