A autenticidade tem sido um ativo cada vez mais valorizado no mundo. No setor agropecuário, essa valorização se manifesta por meio de selos de origem, que não apenas atestam a procedência de um produto, mas o conectam a um território, a uma cultura e a uma história. No Brasil, esse movimento ganhou um novo capítulo com a conquista da Denominação de Origem (DO) para o café da região de Mandaguari (PR), reconhecida pelo INPI – e, pela primeira vez, com base em uma metodologia científica baseada em análise microbiológica, conduzida pela GoGenetic Agro, em parceria com a consultoria Viva Soluções.
A inovação metodológica foi essencial: em vez de depender apenas da percepção sensorial ou de dados históricos, a comprovação da singularidade do café se deu por meio da identificação de microrganismos únicos presentes nos grãos produzidos em Mandaguari – uma abordagem inédita no Brasil. Esse tipo de rigor técnico é o que diferencia as Denominações de Origem das Indicações Geográficas mais simples e permite construir argumentos sólidos para a diferenciação em mercados exigentes.

Mais do que um case técnico, o café de Mandaguari representa o início de uma nova fase no agro nacional: mais científica, mais estratégica e, acima de tudo, mais conectada à identidade local. Produtos com Denominação de Origem deixam de ser apenas commodities e passam a ocupar o espaço de bens culturais e territoriais, valorizados por sua história, seu terroir e seu modo de fazer. Essa valorização se traduz, também, em números. De acordo com um estudo da Comissão Europeia, produtos com Indicação Geográfica na União Europeia geram, em média, um valor 2,23 vezes superior aos produtos similares não certificados. O exemplo mais emblemático talvez seja o champagne francês, que movimenta mais de 5 bilhões de euros por ano e é protegido por uma das IGs mais reconhecidas do mundo. O nome virou sinônimo de sofisticação – e de origem.
No Brasil, há histórias inspiradoras. O Queijo Canastra, produzido em sete municípios de Minas Gerais, teve sua IG reconhecida em 2008. Desde então, o produto ganhou prestígio nacional e internacional, passou a ser exportado e virou símbolo de identidade regional. Segundo levantamento do Sebrae-MG, produtores da região viram aumentos de até 300% no valor do produto após a certificação.

Outro exemplo é o Vinho do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul – a primeira DO brasileira, conquistada em 2012. Desde a certificação, a região não só aumentou sua produção, como fortaleceu o enoturismo e atraiu investimentos em infraestrutura e gastronomia. A IG, nesse caso, foi o elo entre produto, cultura e desenvolvimento econômico. Esses exemplos comprovam: ao reconhecer e proteger a origem, protege-se também um modo de vida, uma cadeia produtiva mais justa e sustentável, e um país que tem muito a oferecer para o mundo em termos de qualidade, sabor e autenticidade.
Segundo o INPI, o Brasil já conta com 139 Indicações Geográficas, das quais 31 são Denominações de Origem – número ainda tímido diante do potencial do país. Com metodologias acessíveis, como a aplicada no café de Mandaguari, esse número pode crescer exponencialmente nos próximos anos. E, mais importante do que a quantidade, é o impacto que essas certificações podem gerar nos territórios.
A origem, quando valorizada com ciência, sensibilidade e estratégia, deixa de ser apenas um ponto no mapa e passa a ser um diferencial competitivo global. O Brasil é um país de origens – e agora tem, cada vez mais, ferramentas para transformar essas origens em valor.