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Receita Federal equipara fintechs a bancos após operações revelarem uso do setor por facções

A decisão da Receita Federal foi formalizada um dia após três operações policiais — Carbono Oculto, Quasar e Tank.

A Receita Federal publicou nesta sexta-feira (29) uma instrução normativa que equipara as fintechs às instituições financeiras tradicionais, ampliando sobre elas a exigência de obrigações acessórias previstas para bancos.

A decisão foi formalizada um dia após três operações policiais — Carbono Oculto, Quasar e Tank — revelarem a atuação do crime organizado no mercado financeiro por meio de fundos de investimento usados para ocultar patrimônio e lavar dinheiro em larga escala.

Esquema da Operação Carbono Oculto (Foto: divulgação / Receita Federal)

A medida consta na Instrução Normativa nº 2.278, publicada no Diário Oficial da União, e impõe que instituições de pagamento e arranjos de pagamento passem a se submeter às mesmas regras aplicadas às entidades integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN) e do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Entre as obrigações, destaca-se a exigência do envio da e-Financeira, conjunto de arquivos digitais que viabilizam à Receita o acesso a dados de movimentações financeiras.

“Indícios de crimes serão objeto de comunicação às autoridades competentes”, registra o texto da norma, que reúne apenas quatro artigos.

Medida da Receita Federal foi retomada após retrocesso

A Receita afirmou que a nova regulamentação é distinta da norma publicada em janeiro deste ano e posteriormente revogada. Na ocasião, o órgão havia estendido as mesmas exigências de transparência às fintechs, mas recuou após a proliferação de notícias falsas que alegavam, entre outros pontos, a taxação do Pix. Segundo o fisco, o episódio forçou a retirada da norma anterior e adiou uma regulação que já era considerada necessária.

Agora, diante das evidências apresentadas pelas forças de segurança, o órgão declarou que não pretende “dar margem para uma nova onda de mentiras” e enfatizou que a nova instrução normativa não é uma mera republicação da medida anterior.

“Fintechs têm sido utilizadas para lavagem de dinheiro nas principais operações contra o crime organizado, porque há um vácuo regulamentar”, disse o órgão em nota. “O crime organizado sabe disso e aproveita essa brecha para movimentar, ocultar e lavar seu dinheiro sujo.”

A regulamentação, segundo a Receita, é um passo precípuo para coibir crimes contra a ordem tributária, em especial aqueles articulados por organizações criminosas, cujas operações financeiras atingem cifras bilionárias.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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