A tecnologia tem se tornado uma aliada da segurança das mulheres, principalmente em situações de emergência ou violência doméstica. Aplicativos e plataformas já oferecem botão do pânico, compartilhamento de localização e acesso rápido a contatos de confiança.
A procura por essas ferramentas ocorre em um cenário preocupante. Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, maior número desde que o crime passou a fazer parte da legislação brasileira, em 2015. O dado é do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Embora não substituam políticas públicas, atendimento policial ou medidas protetivas, essas soluções podem ampliar o acesso à informação e facilitar pedidos de ajuda.
Segurança das mulheres: conheça seis ferramentas disponíveis
Os recursos variam conforme cada aplicativo. Algumas ferramentas atendem apenas determinados estados ou mulheres que já possuem medida protetiva concedida pela Justiça.
SOS Maria da Penha
O SOS Maria da Penha reúne informações sobre direitos, medidas de proteção e serviços de apoio para mulheres em situação de violência doméstica.
O aplicativo também oferece botão de emergência, localização de redes de atendimento próximas e espaços para registrar incidentes e armazenar possíveis provas.
SP Mulher Segura
Disponível no estado de São Paulo, o SP Mulher Segura concentra diferentes serviços públicos em um único aplicativo.
A ferramenta permite registrar boletins de ocorrência pela internet. Mulheres com medida protetiva também podem utilizar o botão do pânico.
Quando a usuária aciona o recurso, a central da Polícia Militar recebe o pedido e envia atendimento ao endereço identificado pela localização do celular.
Rede Mulher
O Rede Mulher atende mulheres no estado do Rio de Janeiro. Pelo aplicativo, a usuária pode ligar diretamente para o 190 e acionar pessoas de confiança.
A ferramenta também mostra unidades policiais e centros especializados próximos. Além disso, permite registrar ocorrências pela Delegacia Online e solicitar medidas protetivas ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
PenhaS
Criado pelo Instituto AzMina, o PenhaS reúne informações sobre direitos, canais de denúncia e serviços especializados de atendimento.
A usuária pode cadastrar até cinco contatos de confiança para situações de emergência. Entre os recursos estão botão do pânico, ligação para a polícia e gravação de áudios que podem ajudar na produção de provas.
O aplicativo também apresenta o Manual de Fuga, com orientações para mulheres que precisam planejar a saída de um ambiente violento.
Todas Por Uma
O Todas Por Uma é um aplicativo gratuito que conecta mulheres em situação de vulnerabilidade a recursos de proteção e a uma rede de apoio.
A ferramenta oferece botão de emergência e permite compartilhar a localização em tempo real com pessoas de confiança. O aplicativo também conta com a Rede de Anjos, formada por voluntárias dispostas a prestar apoio.
Os recursos podem ajudar em momentos de risco, mas a usuária precisa configurar previamente seus contatos e permitir o acesso do aplicativo à localização do celular.
Puft.ai
O Puft.ai permite consultar informações públicas sobre uma pessoa antes de encontros ou do início de um relacionamento.
A plataforma pesquisa dados em 65 tribunais brasileiros a partir do nome completo informado. O relatório pode reunir processos criminais, cíveis, trabalhistas e fiscais.
A consulta deve ser usada com cautela. A existência de um processo não significa necessariamente que houve condenação.
Plinq
A Plinq também permite pesquisar antecedentes criminais, processos judiciais e mandados de prisão. A consulta pode ser feita pelo nome completo, CPF ou telefone.
A plataforma cruza dados de tribunais, diários oficiais e do Banco Nacional de Mandados de Prisão. Depois, organiza os resultados em bandeiras verdes, amarelas e vermelhas.
No entanto, a falta de registros não garante que uma pessoa seja segura. Processos que tramitam em segredo de Justiça também podem não aparecer nos resultados.
Aplicativos ajudam, mas não substituem a rede de proteção
As ferramentas podem reforçar a segurança das mulheres, mas não eliminam a necessidade de apoio especializado. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
O Ligue 180 também oferece informações sobre direitos e serviços de atendimento às mulheres. Guardar documentos, mensagens, fotografias e outros registros pode ajudar na denúncia e no pedido de medidas protetivas.