Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

STF retoma julgamento que pode responsabilizar redes sociais mesmo sem ordem judicial

O atual Marco Civil determina que as plataformas só podem ser responsabilizadas após o descumprimento de uma ordem judicial.
Gilmar Mendes suspende processos aguardando decisão do STF (foto: STF / YouTube)

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma nesta quarta-feira (11) o julgamento que pode alterar o entendimento sobre a responsabilidade das plataformas digitais no Brasil, estabelecido pelo Marco Civil da Internet. O julgamento, que gira em torno de dois recursos movidos por Google e Meta, pode redefinir o limite da atuação das redes sociais diante de conteúdos ilícitos publicados por terceiros.

O atual texto do Marco Civil determina que as plataformas só podem ser responsabilizadas por publicações de usuários após o descumprimento de uma ordem judicial. A tese em debate, porém, pretende flexibilizar esse dispositivo, permitindo que as empresas sejam sancionadas mesmo sem prévia determinação do Judiciário — especialmente em casos considerados de gravidade elevada.

Crimes graves na mira

Até o momento, quatro ministros já proferiram voto. Os relatores Dias Toffoli e Luiz Fux defenderam a responsabilização das plataformas, especialmente diante de conteúdos como racismo, pedofilia, apologia ao terrorismo, tráfico de pessoas, estímulo ao suicídio e ataques ao Estado Democrático de Direito. Para ambos, cabe às empresas monitorar e remover tais conteúdos de forma proativa — sob pena de responder judicialmente.

Toffoli criticou o que chamou de “imunidade” concedida às big techs pela legislação vigente. Em seu voto, o ministro sustentou que a omissão diante de crimes “especialmente graves” deve gerar responsabilização objetiva. Fux foi além, sugerindo a inversão da lógica atual: redes sociais teriam o dever imediato de retirar publicações criminosas, podendo posteriormente contestar judicialmente a remoção, caso considerem indevida.

STF retoma discussão sobre o Marco Civil da Internet (Foto: Gustavo moreno/ reprodução)

Divergência parcial

O presidente da Corte, Luís Roberto Barroso, concordou parcialmente com os relatores. Para ele, a atuação proativa das plataformas é necessária diante de crimes graves, mas o tratamento para ofensas contra a honra — como calúnia ou difamação — deve continuar exigindo decisão judicial.

Já o ministro André Mendonça se posicionou contra a mudança. Em seu voto, reconheceu que o combate a conteúdos ilícitos é importante, mas defendeu que a responsabilização deve recair sobre o usuário que publica, não sobre a rede que hospeda o conteúdo.

O julgamento será retomado com o voto do ministro Flávio Dino. Ainda restam as manifestações de:

  • Alexandre de Moraes;
  • Cármen Lúcia;
  • Cristiano Zanin,;
  • Edson Fachin;
  • Gilmar Mendes;
  • Nunes Marques;

A decisão terá repercussão geral, com potencial de balizar todas as ações judiciais que tratam da responsabilidade das plataformas pela disseminação de conteúdos ilegais.


Continua após a publicidade

Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

VEJA TAMBÉM

Suspeito de esfaquear quatro pessoas em Americana acaba preso pela PM

Homem suspeito de esfaquear quatro pessoas em Americana acaba preso pela PM

Suspeito de atentado contra tenente da Rota morre em ação policial em SP

Suspeito de atentado contra tenente da Rota morre em ação policial em SP

Foto destaque cursos gratuitos FAC

Cursos gratuitos em Campinas; veja como se inscrever em 23 opções de capacitação

Douglas Souza se casa com Gabriel Campos

Após oito anos de relacionamento, Douglas Souza se casa com Gabriel Campos

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.