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Caso Gisele: Tenente agredia filha da vítima, dizem testemunhas

Depoimentos à corregedoria da PM indicam agressões à filha da policial e reforçam suspeitas de feminicídio no caso
Soldado Gisele Alves Santana fardada; investigação de morte envolvendo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto.

O caso da morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana ganhou novos desdobramentos após depoimentos prestados à corregedoria da corporação. Segundo testemunhas, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, principal suspeito, não aceitava a filha da vítima e, além disso, teria cometido agressões contra a menina.

Esses relatos reforçam a linha de investigação, que já aponta para um ambiente de tensão dentro da residência do casal. Além disso, testemunhas também descreveram uma relação conturbada entre o militar e a família de Gisele, marcada por conflitos frequentes.

Ainda de acordo com as investigações, o próprio tenente-coronel afirmou, em interrogatório, que decidiu não comparecer ao velório da companheira para evitar contato com os pais dela. Essa declaração, portanto, também passou a ser analisada pelas autoridades.

Investigação aponta feminicídio

Inicialmente, as autoridades trataram a morte como suicídio. No entanto, após a análise de provas periciais e depoimentos, a Polícia Civil mudou o rumo do caso e passou a investigar o crime como feminicídio qualificado.

Gisele foi encontrada morta no apartamento onde morava, na região do Brás, em São Paulo, com um tiro na cabeça. Porém, os laudos periciais identificaram inconsistências importantes na versão inicial apresentada.

De acordo com os peritos, o disparo ocorreu com a arma encostada na cabeça, em uma trajetória considerada incompatível com um ato cometido pela própria vítima.

Indícios de violência antes da morte

Além disso, os exames apontaram sinais claros de violência antes do disparo. Os peritos identificaram marcas no rosto e no pescoço, o que indica que a vítima pode ter sido imobilizada.

Também foram encontrados arranhões, marcas de dedos e hematomas na região dos olhos. Dessa forma, os indícios sugerem que Gisele sofreu agressões antes ou no momento do crime.

Com isso, o conjunto de provas fortalece a hipótese de feminicídio e afasta a possibilidade de suicídio.

Suspeito está preso

Atualmente, o tenente-coronel permanece preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, desde o dia 18 de março.

A Polícia Civil indiciou o militar, e o Ministério Público o denunciou por feminicídio e fraude processual, já que há suspeitas de tentativa de alteração da cena do crime.

Enquanto isso, as investigações continuam para esclarecer todos os detalhes e possíveis responsabilidades no caso.


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Autor

  • Luana Gasparetto

    Jornalista e radialista, com experiência em produção de conteúdo multiplataforma, elaboração de pautas, entrevistas e cobertura jornalística, com foco em informação de interesse público, comunicação digital e jornalismo investigativo. É autora do livro-reportagem “Borboletas de Concreto: desvelando as marcas deixadas nos corpos de ex-detentas e suas metamorfoses” e pós-graduanda em Gestão de Rádio e Mídias Audiovisuais.

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