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Conheceu alguém pela internet? Especialista faz alerta sobre exposição e golpes

Especialista orienta sobre privacidade e primeiros encontros
Conheceu alguém pela internet? Especialista faz alerta sobre exposição e golpes

Conhecer alguém pela internet, compartilhar a rotina nas redes sociais e confiar em perfis aparentemente comuns fazem parte do dia a dia de bilhões de pessoas, mas a facilidade proporcionada pelas plataformas digitais também exige atenção. Segundo especialistas, a exposição excessiva e a falta de cuidados básicos podem abrir caminho para golpes, extorsões e outros crimes praticados no ambiente virtual.

Esse alerta ganhou força após um empresário de Santos, no litoral de São Paulo, sofrer um prejuízo superior a R$ 100 mil depois de conhecer um homem pelas redes sociais. O suspeito, preso nesta terça-feira (16), é investigado por dopar a vítima e roubar joias, dinheiro e outros objetos.

Ao VTV News, o advogado José Roberto Chiarella, especialista em Direito e Telecomunicações – e que não tem relação com o caso -, afirmou que a proteção começa antes mesmo de um crime acontecer. Na avaliação dele, a principal ferramenta para preservar a privacidade é controlar a quantidade de informações compartilhadas nas redes sociais e adotar uma postura mais cautelosa ao conhecer pessoas no ambiente digital.

Exposição e privacidade

Para o especialista, a privacidade não está ligada apenas às configurações das plataformas, mas também ao comportamento dos usuários. Segundo ele, quanto maior a exposição, maiores são as chances de terceiros terem acesso a informações capazes de revelar hábitos, localização e até o padrão de vida de uma pessoa.


“A gente precisa entender que, para obter privacidade real, a gente precisa limitar a nossa exposição. Parece assim: ‘Então eu não consigo ter o meu espaço?’. A questão não é essa. A questão é ter consciência. Para conseguir obter privacidade, você precisa limitar o uso”, explicou Chiarella à reportagem.


Entre as medidas recomendadas pelo advogado estão restringir a visualização das publicações, evitar divulgar detalhes da rotina e prestar atenção aos elementos que aparecem nas fotografias compartilhadas. De acordo com ele, imagens aparentemente simples podem revelar mais informações do que o usuário imagina.

Os cuidados, segundo Chiarella, devem ser redobrados quando as redes sociais são utilizadas para iniciar relacionamentos. Nesses casos, ele orienta que os primeiros encontros aconteçam em locais públicos e movimentados, preferencialmente com câmeras de monitoramento.

“Quando eventualmente se usa essa ferramenta para conhecer alguém e estabelecer laços afetivos, é importante que no primeiro encontro esse encontro seja em local público. Normalmente, em locais que tenham câmeras, em shoppings e lugares onde a gente consiga obter imagens”, afirmou.

O que fazer se o golpe acontecer

Caso a vítima seja alvo de extorsão ou tenha imagens utilizadas indevidamente, a orientação é reunir todas as provas disponíveis, denunciar os perfis envolvidos às plataformas e registrar um boletim de ocorrência (BO). Para o especialista, a rapidez na adoção dessas medidas pode facilitar a identificação dos responsáveis.

Outra recomendação é não ceder às exigências financeiras dos criminosos. Segundo Chiarella, o pagamento pode fazer com que a vítima seja vista como ainda mais vulnerável, favorecendo novas ameaças e prolongando a prática criminosa.


“Quando há uma extorsão, por exemplo, o ponto mais importante é não pagar o criminoso. Porque, quando paga, cria uma certeza da parte contrária, de quem está cometendo o crime, da vulnerabilidade da vítima. Isso não atenua os efeitos, mas agrava os efeitos, porque vai continuar nesse passo de extorsão”, disse.


Na avaliação do advogado, os prejuízos provocados por crimes desse tipo não se limitam às perdas materiais. A quebra de confiança e a sensação de invasão da intimidade podem deixar marcas que nem sempre são reparadas pela recuperação financeira.

notebook sendo utilizado por uma pessoa com  símbolo dealerta para fraudes e golpes pela internet
Com fraudes cada vez mais sofisticadas, desconfiar pode ser a principal forma de proteção – Foto: reprodução

Desconfiança é a principal aliada

Com a popularização da inteligência artificial e das ferramentas de edição de imagens, os golpes envolvendo identidades falsas se tornaram mais sofisticados. Ainda assim, Chiarella afirma que é possível reduzir os riscos por meio de uma atitude simples: desconfiar.

Segundo ele, antes de aprofundar qualquer relação iniciada na internet, é importante pesquisar nomes, procurar outras fotografias e buscar referências em diferentes plataformas. A ausência de informações e eventuais inconsistências podem servir como sinais de alerta.

“Desconfie sempre. A desconfiança é um bom remédio. Se eu tenho alguém e quero saber quem é, eu preciso me aprofundar nas pesquisas. Vou procurar outras imagens, vou em outros buscadores para tentar identificar essa pessoa. Se percebi que esse perfil não me parece ser verdadeiro, eu já tenho que criar um alerta e saber que, dali para frente, estou mais vulnerável a ser vítima de uma fraude”, concluiu.

Golpes digitais já atingiram mais de 40 milhões

Segundo levantamento do DataSenado, cerca de 24% dos brasileiros com mais de 16 anos já foram vítimas de algum golpe digital – isto é, mais de 40 milhões de pessoas sofreram prejuízos financeiros.

Ao contrário do que se imagina, os jovens são os mais afetados. Pesquisa realizada pelo instituto apontou que pessoas entre 16 e 29 anos correspondem a 27% das vítimas. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, grupo frequentemente considerado mais vulnerável, o percentual é de 16%.

Os números acompanham a migração cada vez maior dos criminosos para o ambiente virtual. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2024 mostram que os estelionatos digitais cresceram 13,6% entre 2022 e 2023, enquanto os roubos físicos a bancos e instituições financeiras apresentaram queda de quase 30%.

Dados sobre golpes digitais no Brasil
24% dos brasileiros com mais de 16 anos já foram vítimas de golpes digitais
Mais de 40 milhões de pessoas perderam dinheiro com crimes cibernéticos
Jovens de 16 a 29 anos representam 27% das vítimas
Pessoas com mais de 60 anos correspondem a 16% dos casos
Os estelionatos digitais cresceram 13,6% entre 2022 e 2023
Os roubos físicos a bancos caíram quase 30% no mesmo período

Diante desse cenário, o Senado criou, neste ano, a Frente Parlamentar de Apoio à Cibersegurança e à Defesa Cibernética, voltada ao desenvolvimento de políticas públicas e mecanismos de combate aos crimes praticados pela internet.


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Autor

  • Renan da Paz

    Jornalista com três anos de experiência em comunicação multiplataforma, com atuação em televisão (apresentação, reportagem, produção, direção, roteirização e edição), assessoria de imprensa e produção de conteúdo para redes sociais. Atualmente, é produtor na VTV SBT e repórter web do VTV News.

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