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Justiça do Trabalho condena empresa a pagar R$1 milhão por acidente fatal

Empresa terá de reformular protocolos de segurança e adotar medidas preventivas em todas as unidades do país
Justiça trabalhista condena empresa a pagar R$1 milhão por danos em Araraquara

A Brado Logística foi condenada ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos, após a morte de um operador de pórtico em Araraquara, no interior de São Paulo. A decisão, proferida no último dia 7 pela Justiça do Trabalho, reconheceu negligência grave da empresa diante de um alerta meteorológico oficial que havia sido emitido horas antes do acidente, ocorrido em janeiro de 2023.

A sentença foi assinada pelo juiz Rafael Marques de Setta, da Vara do Trabalho de Araraquara, e atendeu aos pedidos formulados pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em ação civil pública.

Segundo o Tribunal, o valor da indenização será revertido ao Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). A Brado também deverá adotar uma série de medidas estruturais para corrigir falhas na gestão de riscos ocupacionais, em especial aquelas ligadas à operação de pórticos rolantes.

De acordo com a decisão, a empresa terá de atualizar o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) para incluir o risco de arrastamento de pórticos por ventos fortes, promover análises ergonômicas que contemplem rotas de abandono seguro de cabines elevadas e instalar anemômetros com alarmes sonoros em todas as unidades do país. O descumprimento dessas medidas implicará multa diária de R$ 5 mil por item violado.

Medidas preventivas e alcance nacional

O inquérito conduzido pelo MPT apontou que o acidente ocorreu em 18 de janeiro de 2023, quando um operador chamado Diego Ferris, de 34 anos, realizava atividades a 17 metros de altura. Às 15h33 daquele dia, a Defesa Civil de São Paulo havia emitido um alerta oficial de risco meteorológico, recomendando a evacuação de áreas abertas. Segundo a apuração, a Brado manteve a operação por mais 47 minutos após o aviso, e o operador só deixou de trabalhar após esse intervalo.

Diego Ferris de 34 anos foi levado até o Hospital José Nigro, mas não resistiu
Diego Ferris de 34 anos foi levado até o Hospital José Nigro, mas não resistiu (Foto: Redes sociais)

Na decisão, o magistrado rejeitou a tentativa da defesa de enquadrar o caso como fortuito ou força maior. Segundo o entendimento judicial, o risco era previsível e cabia à empresa agir preventivamente.

“A manutenção da operação e a permanência do operador na cabine elevada (a 17 metros de altura) após o alerta oficial constituíram negligência grave e a causa determinante para o resultado fatal”, afirmou o juiz na sentença.

Mesmo com a paralisação, ele continuou na cabine suspensa por outros 38 minutos, até que uma rajada de vento arrastou o pórtico além dos trilhos. A estrutura tombou e provocou a morte imediata do trabalhador por politraumatismo

A empresa ainda pode recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (TRT-15).

O que diz a empresa?

Em nota, a empresa informou: A Brado Logística informa que até o presente momento não foi intimada sobre a decisão judicial mencionada.

A Companhia ressalta que a fatalidade ocorrida em 2023 decorreu de força maior, em razão de fortes ventos e reforça seu compromisso com a segurança de suas atividades.

Tão logo seja intimada, seu departamento jurídico analisará integralmente o teor da decisão para a adoção das medidas que entender cabíveis.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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