Equipamentos de fiscalização eletrônica flagraram, entre janeiro e junho de 2026, 196,2 mil imagens de motociclistas cobrindo a placa para evitar a identificação de infrações de trânsito em Campinas. O número representa uma média de 32,7 mil registros por mês ou cerca de 1,1 mil por dia. Os equipamentos são gerenciados pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
A irregularidade preocupa porque os motociclistas continuam entre as principais vítimas do trânsito campineiro. Até maio deste ano, das 15 mortes registradas nas vias da cidade, 10 envolveram motociclistas ou garupas, o equivalente a 67% dos casos.
Em julho, os flagrantes ocorreram em vias como as avenidas Avenida John Boyd Dunlop, Ruy Rodriguez, Piracicaba, José de Souza Campos (Norte-Sul) e Marechal Rondon. As imagens mostram situações de risco, como excesso de velocidade, avanço de sinal vermelho e uso indevido do corredor exclusivo do BRT, inclusive após a passagem de pedestres.

“A conduta de risco esconde mais do que a identificação do veículo. Como mostram os flagrantes, quem pratica ‘mão na placa’ geralmente passa pelos radares em altas velocidades e não respeita o sinal vermelho, colocando a vida de pedestres e de outros usuários das vias em jogo”, afirma o coordenador da Central de Monitoramento e Supervisão de Radares, Nilvando Rezende.
As autuações são descartadas pelo sistema quando não é possível identificar o veículo. O levantamento pode incluir mais de um registro do mesmo motociclista, já que a prática costuma se repetir em diferentes pontos fiscalizados.
Cobrir a placa do veículo é uma infração gravíssima. A conduta prevê multa de R$ 293,47 e sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
Flagrantes têm queda de 39%
Apesar da gravidade da prática, os registros tiveram redução em relação ao ano passado. Entre janeiro e junho de 2025, foram contabilizadas 323,7 mil imagens de motociclistas cobrindo a placa, contra 196,2 mil no mesmo período de 2026, uma queda de 39%.

Ao longo de todo o ano de 2025, foram registrados 592,7 mil flagrantes, com média de 49,4 mil ocorrências mensais.
Segundo a Emdec, a redução está relacionada ao reforço das ações de fiscalização presencial e remota. Entre as medidas adotadas estão:
- Ampliação da fiscalização eletrônica: radares foram remanejados para locais considerados críticos, principalmente nas avenidas Ruy Rodriguez e John Boyd Dunlop, com foco em coibir excesso de velocidade e avanço de semáforo. Foram cinco pontos alterados em 2025 e dois em 2026.
- Blitze integradas: em 2026, foram realizadas 124 operações, que identificaram mais de 4,5 mil condutas de risco. Em 2025, foram 295 ações, com 10,9 mil infrações fiscalizadas.
- Fiscalização por câmeras: atualmente, Campinas conta com 19 pontos ativos de monitoramento remoto. No primeiro semestre deste ano, os equipamentos identificaram 14,8 mil situações de risco.
Velocidade e avanço de sinal estão entre os principais fatores de mortes
Os dois comportamentos fiscalizados pelos radares estão entre as principais causas de acidentes fatais. Dos sete casos de mortes no trânsito já analisados em 2026, um teve relação com excesso de velocidade.
Em 2025, a velocidade foi apontada como o fator de risco que mais contribuiu para mortes no trânsito, com 50 vítimas. Já o avanço de sinal esteve relacionado a outros quatro casos fatais, sendo três deles envolvendo passageiros ou garupas de motocicletas.