O Banco Central e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) confirmaram que mais de 11 milhões de pessoas tiveram seus dados cadastrais expostos após acessos indevidos ao Sisbajud, sistema de rastreamento de ativos do Judiciário. O incidente, identificado nos dias 20 e 21 de julho, representa o maior vazamento já registrado relacionado à ferramenta de pagamentos instantâneos Pix desde sua criação.
As informações afetadas são exclusivamente cadastrais: nome do titular, chave Pix, número da agência, número da conta e instituição financeira vinculada. O Banco Central esclareceu que dados sensíveis — como senhas, extratos, saldos ou informações protegidas por sigilo bancário — não foram comprometidos. Também não houve risco de movimentações indevidas em contas.
A autarquia informou que o problema foi comunicado de forma pública por decisão própria, ainda que o impacto potencial fosse considerado baixo, em cumprimento ao compromisso institucional com a transparência. Desde a criação do Pix, este foi o 21º episódio de exposição indevida de dados, segundo registros do BC. Somando os incidentes anteriores, cerca de 1 milhão de registros já haviam sido comprometidos — número agora superado por ampla margem.

Sistema foi corrigido e autoridades foram notificadas
O CNJ declarou que o sistema foi restabelecido logo após a identificação da falha, com a aplicação de novas medidas de segurança. A Polícia Federal e a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) foram notificadas oficialmente, conforme previsto pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), cujo artigo 48 exige comunicação imediata em caso de risco relevante aos titulares dos dados.
Apesar de o episódio não permitir acesso direto às contas ou movimentações financeiras, o CNJ alertou para a possibilidade de tentativas de fraude ou golpes com base nas informações vazadas. Por isso, recomenda que os usuários redobrem a atenção a mensagens suspeitas, especialmente via e-mail, SMS ou ligações telefônicas.
A orientação é que os cidadãos consultem exclusivamente o site oficial do CNJ para verificar se foram impactados. O órgão reiterou que não realiza comunicações diretas sobre o incidente e que criará um canal específico para consulta.
