A cidade de Santos conquistou o segundo menor índice de desperdício de água entre os 100 municípios mais populosos do Brasil. O dado integra o estudo Perdas de Água 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil nesta terça-feira (2/6), com base em indicadores de 2024. Com apenas 5,35% de perdas na distribuição, a cidade já supera a meta nacional estipulada pelo Marco Legal do Saneamento para o ano de 2033.
Este resultado coloca o município da Baixada Santista no topo da eficiência hídrica do país, atrás apenas de Suzano. O avanço decorre de um plano estratégico da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que investiu cerca de R$ 12,5 milhões em Santos entre 2024 e 2025 para modernizar a rede local.
Sabesp lidera ranking de eficiência
O desempenho santista faz parte de um movimento estadual. A Sabesp concentra seis municípios entre os 20 melhores colocados no ranking nacional. Além de Suzano e Santos, figuram na lista de destaques:
- São Paulo (capital)
- São Bernardo do Campo
- Taubaté
- Franca
Todas essas localidades apresentam índices de desperdício significativamente menores que a média brasileira, que atualmente ultrapassa a marca de 40%. Para alcançar esses números, a companhia investiu mais de R$ 2,8 bilhões entre 2024 e 2025 nas cidades onde opera.

Tecnologia contra o desperdício oculto
A estratégia para conter o desperdício envolve uma transformação tecnológica no subsolo. A companhia utiliza imagens de satélite combinadas com inteligência artificial para localizar vazamentos invisíveis a olho nu. Essa tecnologia identifica a assinatura espectral do cloro da água tratada, apontando o local exato do problema.
O monitoramento conta ainda com veículos equipados com sensores que detectam anomalias na rede em tempo real. Além disso, válvulas inteligentes regulam a pressão da água de forma automática, o que diminui o risco de rompimento das tubulações.
O tempo de resposta para manutenções também encolheu. A instalação de 300 pontos de manobra remota permite que os técnicos controlem os fluxos de água diretamente dos centros operacionais. Na capital paulista, o projeto inclui a troca de hidrômetros comuns por aparelhos inteligentes conectados à internet.
Metas e investimentos até 2029
Especialistas do setor apontam que zerar as perdas é impossível. Os sistemas sofrem com perdas reais (vazamentos físicos) e perdas não físicas (furtos, fraudes e erros de medição). No entanto, o controle rigoroso garante a segurança do abastecimento.
A diretora-executiva de Operação e Manutenção da Sabesp, Débora Longo, destaca a importância das ações.
“A redução de perdas é uma das prioridades estratégicas da Companhia. Estamos promovendo uma transformação estrutural que combina investimentos, inovação e inteligência operacional para garantir maior eficiência, segurança hídrica e qualidade dos serviços prestados à população”, afirma a diretora.
A empresa planeja investir quase R$ 9 bilhões até o ano de 2029. O montante financiará programas de redução de perdas, renovação das redes de tubulação e a digitalização integrada dos sistemas em todo o estado de São Paulo.