A duplicação das rodovias que ligam Bragança Paulista a Itatiba e Socorro segue sem previsão de início após o Governo de São Paulo descartar a concessão das vias à iniciativa privada. A execução dos projetos dependerá de recursos próprios do Estado.
O governador confirmou, durante visita a Bragança Paulista, que as rodovias Capitão Bardoíno (SP-008) e Alkindar Monteiro Junqueira (SP-063) não serão mais concedidas à iniciativa privada. A decisão altera o modelo anteriormente previsto, que incluía investimentos privados para obras de duplicação, melhorias e gestão dos trechos.
Com a mudança, os projetos passam a depender exclusivamente de verba pública, o que pode impactar diretamente o cronograma das intervenções.
Obras sem prazo definido
A duplicação dessas rodovias é uma demanda antiga da região, mas continua sem data para sair do papel. Segundo o governo estadual, o início das obras está condicionado à finalização dos projetos de engenharia e à disponibilidade de recursos do Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
Sem o modelo de concessão, que permitiria maior agilidade com aporte privado, o avanço das obras dependerá do planejamento fiscal do Estado.
Acidentes seguem como preocupação
Enquanto não há definição sobre as melhorias, os registros de acidentes continuam sendo um ponto de atenção. Na Rodovia Capitão Bardoíno, foram contabilizados 24 acidentes com quatro mortes em 2024. Em 2023, o número foi maior: 36 ocorrências e cinco mortes.
Já na Rodovia Alkindar Monteiro Junqueira, houve redução nos índices de acidentes. No entanto, o trecho passou a contar com maior fiscalização, com a instalação de radares de velocidade.
Reação regional influenciou decisão
O plano inicial previa a concessão das rodovias dentro do projeto do Circuito das Águas, com a implantação de pedágios no sistema “free flow”. A proposta enfrentou resistência de prefeitos e da população da região, principalmente em razão da cobrança tarifária.
A mobilização levou o governo estadual a rever a estratégia e, posteriormente, a descartar a concessão.
Projeto volta à fase inicial
A proposta de concessão havia sido apresentada em 2025, com previsão de publicação de edital ainda naquele ano e execução das obras entre 2027 e 2030. Audiências públicas chegaram a ser realizadas, mas o avanço foi interrompido após as críticas ao modelo.
O plano original previa mais de 30 quilômetros de duplicação na SP-063 e cerca de 17 quilômetros na SP-008, além de implantação de marginais, passarelas e novos acessos.
Com a mudança de diretriz, será necessário elaborar um novo projeto técnico, reiniciando o processo de planejamento das intervenções.
Dependência de recursos públicos
A nova estratégia estabelece que o Estado será responsável pelo financiamento integral das obras. De acordo com o governo, será necessário organizar o orçamento para viabilizar os investimentos, considerados importantes para a região, mas ainda sem cronograma definido.