A Enjoei anunciou o fim das operações do Elo7, seu marketplace voltado para o comércio de produtos artesanais. A decisão, motivada por uma revisão estratégica e alocação de capital, pegou os vendedores de surpresa. A partir da data do anúncio, a plataforma já não aceita novos pedidos, embora a empresa garanta o cumprimento de todas as transações em andamento.
Forte concorrência motivou o encerramento do Elo7
O crescimento de grandes multinacionais no mercado brasileiro afetou diretamente a operação do Elo7. De acordo com o comunicado oficial da Enjoei, a concorrência pesada aumentou de forma substancial os custos para atrair novos clientes.
A administração do grupo tentou aplicar medidas para reverter o cenário, como a busca por eficiência e a redução de gastos com anúncios pagos. No entanto, as ações não foram suficientes para frear a perda de espaço. No quarto trimestre do ano passado, o Elo7 registrou uma queda de 39,5% na receita líquida em comparação ao mesmo período do ano anterior.
Os impactos contábeis decorrentes do fechamento do marketplace aparecerão nos próximos balanços e serão detalhados nas futuras divulgações trimestrais de resultados da companhia.
Falta de aviso prévio gera indignação entre vendedores
O encerramento repentino gerou susto e indignação em quem dependia da plataforma para gerar renda. A artesã conhecida como “Criando com a Gi”, que vendia no site desde 2012 e acumulava quase mil avaliações positivas, relata que só descobriu o fechamento cinco dias após o ocorrido, ao tentar mostrar sua página para uma cliente.
Segundo a vendedora, o Elo7 saiu do ar no dia 11 de maio sem nenhum aviso prévio aos usuários e a informação só foi divulgada no próprio dia do fechamento. Agora, ela planeja iniciar cadastros em outros marketplaces.
Outra profissional que utilizou o canal foi Priscila Patrícia Norte Pinto, proprietária do ateliê Arte Em Pregas, localizado em Monte Mor. Ela conta que utilizou o Elo7 logo no início do seu negócio, há mais de seis anos, e voltou a vender na plataforma durante a pandemia, mantendo a loja ativa por dois anos.
Priscila explica que deixou a plataforma no passado devido ao percentual repassado sobre as vendas e por problemas logísticos, já que na época o envio ocorria apenas pelos Correios, diferente do cenário atual com suporte de transportadoras. Posteriormente, ela migrou suas vendas para as redes sociais.
Sebrae-SP orienta empreendedores sobre os próximos passos
Para apoiar os artesãos afetados pelo fim do marketplace, o Sebrae-SP divulgou uma série de recomendações urgentes. O objetivo é evitar que os empreendedores percam clientes, dados e faturamento.
A entidade recomenda três ações fundamentais para o momento:
- Salve tudo: Monitore de perto os repasses financeiros e o andamento dos pedidos que já estavam em rota de entrega.
- Faça backup: Guarde as fotos, descrições e informações de todos os seus produtos cadastrados.
- Migre canais: Cadastre sua marca em outras plataformas de vendas o quanto antes.
O Sebrae-SP reforça a importância de o empreendedor não depender de um único canal de vendas. A orientação é organizar os dados, avisar a base de clientes sobre a mudança e manter as atividades comerciais ativas. Em caso de dúvidas, o órgão disponibiliza atendimento pelo telefone 0800 570 0800.