O streaming é um complemento fundamental de uma operação de rádio via dial. Não faltam números que comprovem essa afirmação e, caso alguém ainda tenha dúvida ou deseje mais detalhes sobre o tema, recomendo fortemente o estudo setorial Rádio 3.0, da ABERT, que mostra esse trabalho complementar do áudio digital na composição da audiência das emissoras.
Dito isso, precisamos tratar isso como prática e aproveitar todos os pontos fortes que um streaming proporciona a uma rádio. E um deles é a ausência de uma série de obrigatoriedades que, infelizmente, são impostas ao dial. Sim, estou falando da propaganda eleitoral, e um exemplo muito positivo está justamente no rádio de São Paulo, o nosso maior mercado.
Propaganda eleitoral cria oportunidade para o áudio digital
Não é de hoje que São Paulo entendeu que o streaming é importante para o rádio. Já faz pelo menos 15 a 20 anos que boa parte das emissoras não executa as retransmissões de A Voz do Brasil e das propagandas eleitorais em seus respectivos streamings, separando o dial e o áudio digital nesses momentos.
E, conforme a audiência digital cresce, como mostram os levantamentos presentes no estudo Rádio 3.0, isso gera oportunidades para o rádio na disputa ferrenha pela atenção do público, principalmente entre as plataformas digitais. Aqui, no digital, não ficamos em desvantagem. Pelo contrário: preservamos todos os pontos positivos do dial e vamos além.
Audiência digital também fortalece o FM
Momentos como esse são oportunidades para fazer a audiência do dial consumir mais as emissoras via digital, lembrando que esse trânsito acaba impactando positivamente o FM. Eu sempre reforço aqui que uma experiência positiva no streaming fortalece a audiência no dial, e o contrário também se aplica. Um puxa o outro, como já mostram os dados da plataforma Extended Radio, do IBOPE, com o digital ampliando em 70% o alcance das emissoras.
Então, quando começa uma propaganda obrigatória na sintonia via ondas, mensagens e convites para o consumo do streaming viram atrativos fortes para que isso se converta em mais audiência nas plataformas digitais.
Rádios precisam tratar o streaming de forma estratégica
Tem aqueles que acham que a audiência é baixa no digital e que o trabalho de separação entre dial e streaming acaba não valendo a pena. Mas aí está o ponto central: ela seria relevante se o áudio online da emissora fosse tratado como algo fundamental desde sempre. Ou seja, as rádios que possuem força no streaming são aquelas que sempre trabalharam esse ambiente de forma estratégica.
Claro que mercados gigantes como São Paulo acabam tendo volumes mais expressivos, mas estamos cheios de bons exemplos em mercados de médio e pequeno portes, sejam em capitais ou no interior. Basta buscar aquelas emissoras que são reconhecidas como referências no mercado: todas contam com um streaming de boa qualidade, cuidam de suas plataformas, estão bem posicionadas em agregadores e fazem a separação quando é preciso.
Quando o dial é obrigado a parar, o digital pode continuar
O streaming cresce, vira uma oportunidade de manter a audiência conosco enquanto o dial cumpre obrigações e, passado esse período, mantém o ouvinte interessado em nossos conteúdos, fato que acaba beneficiando a transmissão em FM. Afinal, se parte de sua audiência não está interessada no conteúdo eleitoral obrigatório, você precisa dar uma opção a ela de alguma forma. Caso contrário, outras plataformas darão opções, e aí corremos o risco de essa audiência diminuir o seu consumo do meio. Afinal, ela continuará consumindo mídia.




