O padre Jucelino de Oliveira, de 58 anos, preso em Praia Grande, no litoral de São Paulo, sob suspeita de estupro de vulnerável, já havia sido condenado por um crime sexual contra uma criança de 10 anos. Conforme apurado pelo VTV News, a condenação ocorreu em julho de 2009, quando ele tinha 41 anos.
Jucelino foi condenado a 12 anos de prisão, em regime inicialmente fechado, por estupro e atentado violento ao pudor. A sentença foi proferida pelo juiz Paulo Sérgio Jorge Filho, da 3ª Vara Criminal de Franca, no interior de São Paulo. Na época, o padre integrava o clero da Diocese de Santo Amaro, na Capital.
De acordo com o Ministério Público de Franca à época, o crime aconteceu em janeiro de 2006, mas a denúncia só chegou às autoridades em outubro daquele ano, quando a menina contou o que havia acontecido a uma prima. Os pais dela procuraram a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Franca e registraram a ocorrência.
Em 2007, Jucelino chegou a ficar cerca de seis meses preso preventivamente. Ele foi solto após um habeas corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e respondeu ao restante do processo em liberdade. Como a ação tramitou sob segredo de Justiça, não foi possível localizar um registro público do caso.
Denúncia recente
Jucelino é atualmente investigado pela DDM de Praia Grande, suspeito de estuprar uma jovem de 19 anos, que atuava como coroinha junto ao namorado, de 18, em uma igreja onde o padre trabalhava. Segundo o boletim de ocorrência (BO), o casal acompanhava o religioso em missas e também frequentava a casa dele.
Ainda de acordo com o relato registrado no BO, durante essas visitas, Jucelino insistia para que os dois consumissem bebidas alcoólicas, mesmo após a jovem afirmar que tinha “problema” com álcool.
Em uma dessas ocasiões, ela contou que o religioso teria encostado a genitália na perna dela durante um abraço. Depois, enquanto o namorado estava sonolento, ela relatou que o padre teria colocado as mãos por dentro da blusa e do sutiã dela. Após o episódio, Jucelino teria pedido que os dois fossem descansar em um quarto.
Mais tarde, ele teria chamado a jovem novamente para beber, mas ela recusou. Ela também afirmou que o padre ofereceu ajuda financeira e presentes, como o pagamento da carteira de motorista e materiais para a abertura de um salão de beleza. Segundo o relato, o religioso ainda teria sugerido que o casal morasse na casa dele.

Jucelino foi preso na última sexta-feira (4), no bairro Solemar, durante o cumprimento de um mandado de prisão temporária. A Justiça também determinou medidas protetivas – incluindo que o padre não pode se aproximar das vítimas a menos de 300 metros nem manter contato com elas. Além disso, Jucelino está proibido de frequentar locais regularmente utilizados pelas vítimas, como residência, trabalho e estudo.
O que diz a defesa?
Em nota, o advogado João Paulo Silva Rocha, que representa o padre, afirmou que a prisão tem “natureza temporária e exclusivamente cautelar”, ressaltando que “a medida não representa condenação nem autoriza qualquer conclusão antecipada sobre a responsabilidade do investigado”. Segundo ele, até então, a defesa não havia tido acesso integral à representação policial, ao parecer do MP e aos “fundamentos completos da decisão”.
“Na audiência de custódia, foi requerida a revogação da prisão e sua substituição pelas medidas cautelares já determinadas, prosseguindo a defesa na adoção das providências judiciais cabíveis. O Padre Jucelino cumpriu a ordem judicial sem resistência e permanecerá à disposição das autoridades”,
disse o defensor.
A defesa também manifestou “absoluto respeito a todas as pessoas envolvidas, sem distinção, e confia que os fatos serão apurados com rigor, serenidade e observância das garantias legais”. Por fim, o advogado pediu “responsabilidade na divulgação das informações”, com a preservação da dignidade dos envolvidos, da presunção de inocência e a prevenção de qualquer forma de prejulgamento público.
Já a Diocese de Santos informou que tomou conhecimento da prisão. Em nota, a instituição afirmou confiar na Justiça e disse que adotará as providências canônicas cabíveis.




