Indicação visual de conteúdo ao vivo no site
Indicação visual de conteúdo ao vivo

Não venham a Portugal

Coluna aborda a imigração em Portugal, principalmente o crescente número de brasileiros
Vista urbana de Portugal destacando a experiência de viver e morar em terras lusas.

Morando há praticamente 11 anos Em Terras Lusas, meu sentimento de paixão, amor e pertencimento pelo país que escolhi, e me acolheu, já passou por várias fases. Da paixão, que cega a realidade, ao incontornável questionamento se já não chegou a hora de cruzar novas fronteiras.

Se esse mix de sensações é de certa forma perturbador e pode dar ao leitor a sensação de ingratidão. Nada como um bom contexto para avaliar a realidade.

Quando cheguei em 2015, Portugal tinha 388.731 imigrantes sendo 82.590 deles de nacionalidade brasileira, o representava 21% desse total.

Passados 11 anos, Portugal tem 1,5 milhão de imigrantes, sendo 484.596 de nacionalidade brasileira, o que representa 31% desse total, segundo o mais recente relatório de estatísticas de imigração.

Imigrantes brasileiros em Portugal totalizando 31% da população estrangeira em terras lusas.

Dito isso, deparar-se com um brasileiro durante o dia a dia é um fato extremamente corriqueiro. O mesmo se aplica às outras nacionalidades de imigrantes, mas a visibilidade dessa imigração é muito menor, uma vez que o percentual restante é diluído em mais de 25 nacionalidades.

Ou seja, é o imigrante brasileiro que tem mais representatividade na sociedade portuguesa, tanto para o bem quanto para o mal.

Se a imigração é uma realidade e as razões para esse aumento exponencial são também incontestáveis, há muita controvérsia sobre o tema. Estariam os imigrantes ofuscando a essência do país e dos portugueses?

Para os entusiastas da imigração, os benefícios desse movimento vão desde a necessidade de ocupação de cargos de trabalho que os portugueses já não mais se sujeitam a fazer, até a importância da arrecadação de impostos para a previdência social, pagos por esses imigrantes.

Não é novidade que a multiplicidade cultural advinda desse fenômeno migratório tem feito a alegria de muitos locais que acreditam quer Portugal está um pouco mais cosmopolita.

Mas há aqueles que dizem que o país está perdendo a sua essência, uma vez que os imigrantes acabam por ocupar posições de trabalho estratégicas e que até há pouco tempo eram prioritariamente de nacionais.

Seja nos táxis, nos restaurantes, nas lojas, na construção civil, nos hotéis, nos hospitais, nos museus, e até dirigindo ónibus locais, os imigrantes, brasileiros em sua maioria, estão ocupando seus espaços e trabalhando dia após dia, o que me parece muito compreensível e razoável.

Em um país tão pequeno como Portugal, o que assusta e propicia a indignação de muitos é o problema de escala. Isso sem falarmos da tão temida apropriação cultural que muitos desses imigrantes acabam fazendo por uma questão de sobrevivência.

Desafios da integração cultural e escala populacional de imigrantes vivendo em terras lusas.

Um casa de fado com cantores provenientes do funk carioca, não me parece o cenário mais credível da cultura portuguesa, e o que já era ruim, torna-se muito pior.

Como bem diz o ditado português: “A cara precisa combinar com a careta” e, muitas vezes, não combina e a sensação de oportunismo e ultraje cultural se apresentam de forma mais que evidente.

Como não gosto de dourar a pílula, corro o risco de dizer que se o leitor quer viver uma experiência tipicamente portuguesa NÃO deve vir a Portugal, pelo menos por agora.

Duro dizer essas palavras, mas é preciso dizer: Portugal está NU.


Continua após a publicidade

Autor

  • Paulo Visani Rossi

    Paulo Visani Rossi é advogado especializado em Direito Autoral e assessor de imprensa, atua como consultor de marketing na Europa e vive há 9 anos em Portugal

VEJA TAMBÉM

Foto destaque eleição 2026

Convenções partidárias entram na reta final e definem cenário das eleições 2026

mulher-morta-são-vicente

Saiba quem era Paula, mulher morta a facadas em São Vicente; ex dela é suspeito

galego-forja-identidade

‘Galego’ trocou nome e documentos antes de ser morto pela Rota em Peruíbe

juliette

Juliette Freire compara infância com a do noivo e fala sobre maternidade

Gostaria de receber as informações da região no seu e-mail?

Preencha seus dados para receber toda sexta-feira de manhã o resumo de notícias.