Nesta segunda-feira (25), a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) realizou um encontro com representantes de 40 clubes das Séries A e B do Brasileirão para debater a formação de uma liga única de clubes com a participação da própria entidade.
Durante o encontro, a CBF apresentou aos dirigentes dos clubes uma pesquisa após uma comparação do Brasileirão com as principais ligas do futebol europeu. A ideia é é melhorar o público e trazer o campeonato para horários diurnos e não noturnos.
O posicionamento da CBF é resultado de um estudo realizado pela própria entidade, considerando as partidas de 2023 a 2025.
Cinco pontos preocupam a CBF
Priorizar horários diurnos
Reduzir conflitos entre as Séries A e B
Reavaliar o horário das 19h durante a semana
Reavaliar jogos domingo à noite (a partir de 20h)
Utilizar mais o horário das 11h de domingo
A CBF cruzou dados de público e horários de jogos para desenvolver um indicador personalizado. Esse coeficiente aponta quais períodos são mais eficientes para atrair torcedores aos estádios, respeitando a realidade de cada clube.
Conciliar essa equação envolve equilibrar as exigências das emissoras detentoras dos direitos, os compromissos em torneios continentais e o descanso mínimo obrigatório de 66 horas entre as partidas. Além disso, a entidade precisa acomodar pedidos de clubes por maior tempo de recuperação em cenários específicos e alinhar o planejamento com a segurança pública para evitar que rivais locais joguem na mesma data.
Nas propostas apresentadas às equipes, a entidade defende que diminuir a concorrência de datas entre as Séries A e B vai impulsionar a audiência de ambas as competições. O diagnóstico também acendeu o alerta para os jogos realizados às 19h no meio da semana, que registraram uma frequência de torcedores bem inferior à média. Outro gargalo apontado pelo estudo foi a faixa das 20h de domingo. Por outro lado, o mesmo horário no sábado não é considerado um entrave para o público.
Diante desse cenário, a entidade acredita que pode aproveitar melhor as manhãs de domingo, especificamente às 11h, desde que as condições climáticas e as regiões das partidas colaborem. Essa faixa, inclusive, foi implementada no Campeonato Brasileiro anos atrás com o objetivo estratégico de atrair a audiência do mercado estrangeiro.
Pesquisa
A violência está esvaziando os estádios, e os números de uma pesquisa encomendada pela CBF provam isso. Cerca de 35% do público deixou de ir aos jogos por pura falta de segurança. O dado mais alarmante mostra o fim do programa em família: 74% dos torcedores afirmam que o ambiente do futebol hoje não é seguro para levar crianças e idosos.
A expectativa da CBF é que essas mudanças impulsionem a presença de público nos estádios, gerando um efeito dominó positivo: maior engajamento das torcidas, aumento na venda de produtos licenciados, além de mais faturamento para os clubes. Paralelamente, a entidade aposta que arquibancadas cheias vão valorizar a imagem do campeonato, transmitindo uma atmosfera de maior segurança para o espetáculo.

Estádios em pauta
A qualidade e a estrutura dos estádios, com foco principal na elite do futebol nacional, também entraram na pauta da CBF. A entidade chamou a atenção para um vácuo regulatório no Brasil: diferentemente do padrão rígido exigido na Europa e nas competições organizadas pela Conmebol, o futebol brasileiro ainda carece de uma cartilha que padronize e certifique as suas arenas.
Aproveitando a pausa no calendário para a Copa do Mundo, uma comitiva técnica da confederação vai percorrer as 21 arenas da Série A. O objetivo dessa caravana de inspeções é dar o pontapé inicial no mapeamento que servirá de base para desenhar as novas regras.
Os estádios que serão visitados
São Paulo: Neo Química Arena, Nubank Parque, MorumBIS, Barueri, Vila Belmiro, Primeiro de Maio, Cícero de Souza Marques
Rio de Janeiro: Maracanã, Nilton Santos, São Januário
Bahia: Fonte Nova, Barradão
Minas Gerais: Mineirão, Arena MRV
Pará: Mangueirão, Baenão
Paraná: Arena da Baixada, Couto Pereira
Rio Grande do Sul: Arena do Grêmio, Beira-Rio
Santa Catarina: Arena Condá
A CBF instituirá um programa de certificação periódica para os estádios nacionais, monitorado por um banco de dados unificado. Essa plataforma concentrará o histórico de inspeções, os pareceres técnicos e o cumprimento dos cronogramas de adequação das praças esportivas. Além disso, o cronograma prevê a expansão desse modelo regulatório para os clubes da Série B já em 2027.
