A crise financeira vivida pela Ponte Preta segue impactando diretamente o planejamento para a temporada de 2026. Nesta terça-feira (23), mais três atletas decidiram deixar o clube, elevando para cinco o número de jogadores que rescindiram contrato em razão dos salários atrasados.
Os novos desligamentos são do lateral-esquerdo Kevyn, do atacante Diego Tavares e do zagueiro Wallace. Os dois primeiros fizeram parte do elenco campeão da Série C, enquanto Wallace havia sido contratado recentemente, no início de dezembro, e optou por não dar sequência ao vínculo antes mesmo de estrear.
Kevyn e Diego Tavares receberam propostas de outras equipes e comunicaram à diretoria que não permanecerão no Majestoso para a próxima temporada. Já Wallace alegou insegurança diante do cenário financeiro do clube e também pediu a rescisão.

Crise sem fim
Com essas saídas, sobe para cinco o número de jogadores que deixaram a Macaca sem sequer iniciar a pré-temporada. Antes deles, o volante Léo Oliveira e o lateral-direito Gabriel Inocêncio já haviam tomado a mesma decisão, igualmente motivados por pendências nos pagamentos.
O elenco profissional segue com as atividades paralisadas. Os jogadores mantêm a greve anunciada no último sábado, cobrando a regularização dos salários e de outros direitos trabalhistas em atraso. A indefinição administrativa e a falta de recursos têm dificultado uma solução rápida por parte da diretoria.
A situação preocupa às vésperas do início do Campeonato Paulista, e coloca em risco a montagem do elenco e a preparação da Ponte Preta para a temporada de 2026.
A estreia da equipe de Campinas no Paulistão está marcada para o dia 11 de janeiro, contra o Corinthians, na Neo Química Arena.
Confira a nota oficial do elenco da Macaca:
“Nós, atletas da AA Ponte Preta, remanescentes da temporada 2025 e os recém-contratados para a temporada 2026, em conjunto, comunicamos que:
Como é de conhecimento da imprensa e torcedores, a maioria dos atletas não recebeu as férias de 2025, 13º salário de 2025, além de diversos meses de salários e direito de imagem em atraso, que em alguns casos chegam a 7 meses sem o devido pagamento.
O § 5º do artigo 90 da Lei Geral do Esporte permite ao atleta profissional de futebol paralisar as atividades profissionais, inclusive recursa-se a competir, quando os salários estiverem em atraso por 2 (dois) ou mais meses:
Art 90 -…
§ 5º É lícito ao atleta profissional recursa-se a competir por organização esportiva quando seus salários, no todo ou em parte, estiverem atrasados em 2 (dois) ou mais meses.
Assim, comunicamos a diretoria da AA Ponte Preta que, a partir de 22/12/2025, suspenderemos nossas atividades, até que as verbas em atraso sejam regularizadas.
Atenciosamente,
Elenco Profissional de Atletas da AA Ponte Preta“