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Caso furto de vírus: Justiça suspende punição da Unicamp contra pesquisadores

Decisão impede processos disciplinares após defesa alegar falta de acesso a provas sigilosas
Fachada da Unicamp em Campinas sob decisão judicial de suspensão de PADs contra pesquisadores Miller.

A Justiça de Campinas (SP) determinou, em caráter liminar, a suspensão de dois Processos Administrativos Disciplinares (PADs) instaurados pela Unicamp contra os pesquisadores Soledad Palameta Miller e Michael Edward Miller. O casal é investigado pelo suposto furto de 24 cepas de vírus de um laboratório de alta segurança da instituição. As decisões da 3ª Vara da Fazenda Pública atendem a um pedido da defesa, que alega prazos curtos para manifestação e dificuldade de acesso a provas que estão sob sigilo na esfera criminal.

Sede do Tribunal de Justiça em Campinas onde tramita suspensão de PADs da Unicamp contra pesquisadores.

Unicamp recorre para retomar punições

Em nota, a Unicamp afirmou que está cumprindo a ordem judicial, mas que sua Procuradoria Geral já prepara as medidas cabíveis para reverter a suspensão. A universidade defende que as apurações internas possuem natureza própria e devem seguir o rito institucional. Enquanto os processos principais estão parados, a sindicância preliminar de coleta de provas continua em andamento.

MPF investiga falhas no controle de vírus

Paralelamente à disputa judicial, o Ministério Público Federal (MPF) confirmou que instaurou uma Notícia de Fato para investigar a conduta da universidade. O objetivo é apurar se houve falhas estruturais ou procedimentais no controle de materiais biológicos sensíveis, o que poderia colocar em risco a saúde pública.

Questionado pela reportagem, o MPF informou que está realizando os atos necessários para a coleta de informações preliminares. O órgão ressaltou que, por se tratar de uma etapa inicial, não há um prazo preestabelecido para a conclusão ou para a decisão sobre a abertura de um Inquérito Civil.

Entrada do Instituto de Biologia da Unicamp e laboratório NB-3 alvo de investigação envolvendo vírus.
Entrada do Instituto de Biologia da Unicamp, onde fica o laboratório NB-3; MPF apura se houve falha na fiscalização de vírus

O Caso: 24 tipos de vírus desviados

A investigação da Polícia Federal começou em março, após o desaparecimento de amostras de um laboratório de biossegurança nível 3 (NB-3). Entre o material levado para outros prédios da universidade estavam amostras de:

  • Dengue, Zika e Chikungunya;
  • Coronavírus humano;
  • Vírus da gripe (Tipo A) e Herpes.

As amostras foram recuperadas e, segundo a PF, não houve contaminação externa. A defesa dos pesquisadores nega o crime de furto, alegando que a movimentação do material ocorreu por questões técnicas de pesquisa. O advogado do casal, Rubens Luiz Schmidt Rodrigues Massaro, informou que não comentará o caso devido ao segredo de Justiça.

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Autor

  • Beatriz Biaggioni

    Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas. Comunicativa e curiosa, gosto de ouvir histórias, aprender com as pessoas e transformar isso em comunicação com sentido. Em constante crescimento, com olhar atento e vontade de fazer bem feito.

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