O dia 19 de janeiro de 1967 marca um divisor de águas na história local: a emancipação política de Praia Grande. Ao se desmembrar de São Vicente, a cidade deu início à sua trajetória de independência, que completa 59 anos nesta segunda-feira. As celebrações começaram ainda na semana anterior, com uma programação especial e a inauguração do Parque de Lazer Mirim.
Para comemorar o aniversário da cidade, a VTV News produziu uma série de reportagens para que os leitores conheçam a fundo Praia Grande. O projeto faz parte do especial Minha Cidade em Destaque, que busca valorizar e evidenciar as potencialidades de cada município.
Cidade em movimento e desenvolvimento
O prefeito Alberto Mourão (MDB) concedeu uma entrevista exclusiva ao portal, na qual pontuou as melhorias e os projetos de longo prazo que consolidarão o município como um case de sucesso. Mourão também deixou uma mensagem aos moradores, ressaltando que a cidade exige desenvolvimento constante e que ‘pensar fora da caixa’ é o que manterá o protagonismo de Praia Grande como uma das cidades que mais crescem na Baixada Santista.
“Temos que acreditar em nossa cidade, assim como já acreditamos lá atrás. Estamos aqui para preservar o que já conquistamos e, ao mesmo tempo, olhar para o mundo a fim de identificar em quais áreas precisamos nos adaptar para que o nosso progresso seja constante. Isso só será possível se todos nós tivermos um olhar voltado para o coletivo”, afirmou.

Foto: Instagram/Albertopmourao
Confira a entrevista completa
O que os 59 anos de emancipação político-administrativa representam hoje para Praia Grande, uma cidade que cresceu em ritmo acelerado nas últimas décadas?
Praia Grande é uma das cidades que mais crescem no país. Nestes últimos 30 anos, as projeções demográficas têm se confirmado, e o IBGE não errou quando citou esse crescimento populacional. Estamos fazendo o possível para que a cidade não perca o que conquistou e para que a qualidade de vida e a infraestrutura se mantenham. A expectativa é de que, nos próximos anos, haja ainda mais crescimento; trabalharemos para que a cidade continue pujante e possa oferecer, cada vez mais, serviços públicos de qualidade para a população.
O crescimento populacional trouxe desenvolvimento, mas também pressão sobre serviços públicos. Como a Prefeitura equilibra expansão urbana e qualidade de vida?
O principal ponto é discutir a Lei de Uso e Ocupação do Solo, fundamental para distribuir melhor a população entre os bairros. Nas áreas de maior adensamento, é preciso rediscutir incentivos para que a sociedade continue interessada em ocupar esses locais. Já nos bairros com baixo adensamento — como Flórida, Mirim, Solemar, Real e outras regiões extremas — o objetivo é estimular a fixação de novos moradores, o que impulsiona diretamente a atividade econômica local.
Para viabilizar essa estratégia, estamos planejando novas linhas de transporte, essenciais para o deslocamento entre os extremos da cidade. Já temos um bom sistema viário, mas o foco agora é investir no transporte de massa, garantindo velocidade, qualidade e preço justo. Assim, incentivamos a expansão da ocupação urbana e a distribuição da população de forma mais uniforme pelo território.
A mobilidade urbana é uma das principais reclamações da população, especialmente nos períodos de alta temporada. Quais soluções estão em andamento para melhorar o trânsito e o transporte público?
Estamos em diálogo com o Governo do Estado para que, ainda este ano, consigamos definir as diretrizes e o traçado do projeto. Avaliaremos como essas linhas funcionarão no município e de que forma as linhas troncais impactarão a mobilidade urbana. A escolha do modal é decisiva, pois ainda estamos estudando se a melhor solução será o VLT, o BRT ou a implementação de faixas exclusivas para ônibus. Existem diversas variantes que precisam ser analisadas antes da definição final do trajeto.
Praia Grande recebe milhares de turistas no verão. Como a cidade se prepara para garantir segurança, limpeza, saúde e ordenamento urbano durante a temporada?
Este preparo já se tornou rotina para nós. Somos o quarto destino mais procurado do país e alcançamos este patamar porque possuímos uma infraestrutura adequada. No entanto, trabalhamos constantemente para aprimorar o suporte dos serviços públicos: contamos com 1.600 profissionais atuando na limpeza das praias e áreas de grande fluxo. Este é um esforço extra, com funcionários contratados especificamente para garantir que as demais regiões não fiquem sem os serviços essenciais. Além disso, dispomos de um efetivo de 1.800 profissionais — incluindo Guarda Civil Municipal, polícias Militar e Civil e Salvamento Marítimo — que trabalham integrados para manter a ordem.
- O setor imobiliário é um dos motores da economia local. Que políticas existem para evitar crescimento desordenado e garantir infraestrutura adequada?
Precisamos discutir a ocupação urbana de forma estratégica, evitando o adensamento excessivo em regiões específicas para não sobrecarregar os serviços públicos, enquanto outras áreas ficam subutilizadas. Vamos dialogar com diversos setores para expandir essa ocupação para outras regiões. Essa abordagem inclui parcerias com a construção civil em medidas como o nivelamento da pressão de água nos edifícios, dimensionamento de caixas d’água e gestão de subsolos.
Além disso, focaremos no manejo das águas do lençol freático, garantindo que retornem ao sistema de drenagem da melhor forma possível, evitando que águas limpas (não contaminadas) sejam descartadas inadequadamente na praia.
Além do turismo de veraneio, Praia Grande tem potencial para se tornar um polo de eventos e negócios? Existe planejamento nesse sentido?
Estamos na ponta da Rodovia dos Imigrantes, o que nos confere uma disponibilidade privilegiada para receber mais eventos e visitantes. Já realizamos o Estação Verão, que atrai cerca de 25 mil pessoas; se hoje já comportamos esse volume, estamos no caminho certo para receber shows e eventos internacionais. Nossa posição geográfica é estratégica: quem sai do ABC Paulista, por exemplo, consegue chegar à cidade rapidamente. A nossa tendência é atrair novas atividades e equipamentos turísticos que vão além da rota de praia, e estamos trabalhando para que essa diversificação ocorra.
Como a Prefeitura atua para ampliar oportunidades de emprego e evitar que a cidade seja apenas dormitório para quem trabalha em outros municípios?
Temos duas fortes vertentes de desenvolvimento no município. Primeiro, as atividades retroportuárias, com grande capacidade para absorver serviços de apoio logístico, o que tem gerado cada vez mais empregos. Em segundo, o setor de Mini CDs (Centros de Distribuição) e redes regionais; com nossa ampla base de fibra óptica, temos potencial inclusive para abrigar um Data Center, atraindo novas frentes de trabalho na área de tecnologia.
Há a questão da complementação do Porto de Santos. Se o porto vizinho possui dois píeres de atracação para navios de turismo, a criação de mais dois em Praia Grande poderia fortalecer a atividade regional. Essa integração ampliaria a geração de empregos e consolidaria nossa cidade como um hub logístico e turístico.
Quais políticas públicas são voltadas para inclusão social e atendimento às regiões mais vulneráveis da cidade?
Temos diversas políticas públicas voltadas à inclusão social. Um exemplo claro é a nossa malha urbana, com ruas 100% pavimentadas. No que diz respeito ao saneamento, faltam apenas 4% para completarmos a rede de esgoto, com previsão de finalização até 2027. Mantemos uma infraestrutura sólida nos bairros, com coleta de lixo diária e a priorização da construção de escolas e unidades de saúde dentro das comunidades. O objetivo é garantir que os serviços públicos estejam sempre próximos aos cidadãos. A inclusão é uma prioridade constante em nossa gestão, assegurando que todos os moradores sejam contemplados.
Segurança pública é uma preocupação constante de moradores e visitantes. Quais ações concretas estão sendo adotadas para ampliar o policiamento, a vigilância e a sensação de segurança na cidade?
Há seis anos, em minha gestão anterior, já mantínhamos um diálogo estreito com o Estado para intensificar o policiamento. Naquela época, trouxemos a Delegacia Seccional e ampliamos o número de agentes civis e militares para buscarmos um efetivo completo. Agora, o foco é o avanço tecnológico, com a ampliação de equipamentos e do monitoramento por vídeo.
Nossa meta é instalar mais duas mil câmeras até 2028, totalizando aproximadamente 5.800 equipamentos no município. Estamos constantemente modernizando nosso Centro de Operações, que já está em sua terceira versão. Vale lembrar que fomos pioneiros no Estado de São Paulo com a criação do primeiro Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (Cicoe) e a primeira cidade a implementar o videomonitoramento de rua. Estamos aprimorando essa tecnologia para oferecer melhores condições de trabalho aos nossos agentes e, consequentemente, dar todo o suporte necessário às polícias.
A saúde é uma das áreas mais sensíveis da administração pública. Quais ações foram implementadas para melhorar o atendimento e quais ainda são os desafios mais urgentes?
Nossa meta é atingir 6 milhões de atendimentos por ano, englobando consultas de especialidades, emergências, procedimentos básicos e hemodiálise, entre outros. Pretendemos ampliar as parcerias com o setor privado para garantir que a população tenha acesso a procedimentos que ainda não realizamos internamente. Uma de nossas prioridades para este ano é erradicar as filas de espera represadas, mantendo apenas o tempo de espera técnico para o acolhimento e triagem do paciente.
Nos próximos dias, inauguraremos um novo centro de hemodiálise, 66% maior que o atual. Também estamos entregando uma nova unidade de saúde no bairro Aviação, com o dobro da capacidade de atendimento. Além disso, outras unidades serão ampliadas por meio de reformas ou prédios novos, como as da Vila Alice, Tupy e Canto do Forte. No campo hospitalar, teremos uma nova maternidade com 36 leitos e já estudamos a ampliação do hospital municipal em parceria com a Caixa Econômica Federal.
Olhando para o futuro, qual legado a atual gestão pretende deixar ao completar quase seis décadas de autonomia política de Praia Grande?
Pretendo deixar como legado a consolidação de todos os projetos que idealizamos. Minha meta é que Praia Grande atraia cada vez mais empresas de grande porte e do setor tecnológico, gerando novos postos de trabalho e culminando na concretização do Píer de navios turísticos. Esses empreendimentos serão os grandes motores da nossa economia, gerando milhares de empregos e elevando a média salarial. O que, consequentemente, promove uma melhora direta na qualidade de vida de todos os nossos moradores.
2026 será ano de eleições estaduais e federais. O senhor tem aspirações de disputar algum cargo, como deputado, ou pretende apoiar oficialmente algum candidato? Como isso se conecta ao futuro político da cidade?
Ainda não é o momento de me manifestar sobre possíveis candidatos, pois o nome cogitado hoje pode não se consolidar para esta eleição. Precisamos acompanhar os debates para compreender as propostas de cada um. O que eu espero são discussões pautadas em metas e planos concretos, para que possamos realizar uma análise séria e fundamentada.