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36 anos antes da incursão na Venezuela, EUA prendia o presidente do Panamá

Operação ocorre 36 anos após ação semelhante no Panamá; Trump afirma que transição será administrada diretamente pelos EUA
Por DoD photo by PH1 Elliott - http://www.dodmedia.osd.mil, Domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=1502233

A administração dos Estados Unidos capturou, na madrugada deste sábado (3), o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e anunciou que passará a gerir interinamente o país até a realização de uma “transição adequada”. A ação, conduzida por forças militares norte-americanas com apoio de agências de inteligência, foi deflagrada por volta das 2h50 no horário de Brasília, com uma série de explosões registradas em diferentes pontos de Caracas, capital venezuelana.

Coincidentemente, a operação ocorre exatamente 36 anos após a intervenção militar no Panamá, batizada de Just Cause, que teve como alvo o regime de Noriega. Em 3 de janeiro de 1990, o até então presidente se entregou aos EUA.

Dias antes, em 20 de dezembro de 1989, os Estados Unidos justificaram a ofensiva com base na proteção de seus cidadãos e na defesa do tratado do Canal, mas o episódio deixou um saldo elevado de mortos civis e permanece como um precedente controverso de intervenção unilateral no pós-Guerra Fria.

A ação envolveu cerca de 27 mil militares norte-americanos, apoiados por tropas já estacionadas no país, e ataques simultâneos a bases das Forças de Defesa do Panamá, aeroportos, quartéis e pontos estratégicos na Panamá, incluindo a Cidade do Panamá. O confronto resultou no colapso rápido das forças panamenhas, mas deixou centenas de mortos, majoritariamente civis, e forte destruição em bairros populares como El Chorrillo.

Assim como em 1990, a captura do chefe de Estado foi seguida da promessa de reestruturação do país, porém sem consenso internacional sobre os limites dessa ingerência.

 (Foto: Reprodução / DoD photo by PH1(SW) J. Elliott)

Fala controversa de Trump

A ofensiva marcou o primeiro pronunciamento público do presidente Donald Trump desde o início da operação. Em discurso oficial, ele confirmou a detenção de Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, e classificou a missão como uma demonstração da “incomparável capacidade técnica de infiltração” das agências norte-americanas, destacando a atuação do 1º Destacamento Operacional das Forças Especiais Delta.

Segundo Trump, os resultados obtidos representam “ganhos políticos incontestáveis” para seu governo e simbolizam o início de uma nova fase de reconstrução institucional no país vizinho.

Explosões e captura

Relatos de moradores apontam que ao menos sete explosões ocorreram em bairros distintos da capital, acompanhadas de sobrevoos de aeronaves militares, o que provocou correria e confusão entre pedestres durante a madrugada. O governo dos EUA não detalhou os alvos específicos da operação, tampouco divulgou informações sobre possíveis vítimas civis ou danos materiais.

A captura de Maduro e sua transferência imediata para custódia norte-americana encerram um período de impasse diplomático e consolidam a ação como a mais ousada ofensiva internacional desde a invasão do Panamá, em 1989, quando o então general Manuel Noriega foi capturado após semanas de confronto.

Apesar da retórica de reestruturação, o plano norte-americano ainda carece de interlocutores locais ou de um cronograma eleitoral definido. Trump afirmou que a Venezuela será gerida em parceria estratégica com os EUA, com a promessa de tornar seus cidadãos “ricos, independentes e seguros”. Ele não especificou, no entanto, quais serão os instrumentos jurídicos ou políticos utilizados nesse processo, nem como se dará a articulação com instituições internas.


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Autor

  • Iago Yoshimi Seo

    Jornalista formado em junho de 2025, atuando desde 2023 com foco em reportagens de profundidade, gestão de projetos, fotografia e pesquisa. Autor de obra sobre temas sociais e políticos, com análise crítica da democracia e da sociedade.

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